O Xadrez e a Música

terça-feira, maio 01, 2007

FILTRO D´AMÔR (PARTE VI)


Isabel ouvindo a Valsa da Sedução







Anúncio da loja A Rabeca Mágica,

representada pelo Hilário Hilariante

* * * * * *


CENA XII

Manivela e Hilário

Manivela (entrando com Hilário pelo F.E.) - Esta só pelo diabo; tudo tão bem combinado e falha. Se o meu patrão tem deixado a chave, estávamos bem arranjados (dirige-se à gaveta onde tinha guardado o segundo frasco).
Hilário - E esse remédio dará resultado?
Manivela - Ao papagaio deu, mas olhe, eu já nem sei…
Hilário - Não sabe?
Manivela (enquanto vai abrindo a gaveta) - Sei! Dá resultado, com certeza… (procurando o frasco sem o encontrar) - Afinal não sei...
Hilário (furioso) - Sabe ou não sabe, com mil diabos?!
Manivela - Não sei mas é onde está o maldito frasco. Eu tinha-o guardado aqui.
Hilário (correndo a ver) – O quê? Não sabe do remédio? (remexem a gaveta).
Manivela - Nada, evaporou-se! Frasco, líquido, tudo desapareceu.
Hilário (pondo as mãos na cabeça) - Desapareceu o líquido e eu sou um homem liquidado. Maldita a hora em que entrei nesta casa, o Santuário da Música, como dizia o Procópio Profundo. Profundo, Profundo, p´ró fundo do Inferno é que ele devia ir. E você, seu Manivela, que me meteu neste sarilho, agora o que é que resolve?
Manivela - Eu é que meti? Você é que é o culpado. Para que é que em vez de dar aquilo a beber ao Carlos, deu à Lúcia?
Hilário (desalentado) - Nem sei como foi; uma confusão de copos. E a Lúcia quando se viu sem voz… o que vale é que quase não se ouvia. Mas deitava cada olho…
Manivela - E o Júlio quando souber, nem me quero lembrar.
Hilário – E logo desapareceu esse maldito remédio que você disse ter cá na loja.
Manivela - Tinha, tinha, mas então… tenho estado a pensar que foi o Júlio que o fez desaparecer.
Hilário – E se o Basalicão fizesse uma pinga num instante?
Manivela – Qual quê! Aquilo só a filtrar leva quase um dia.
Hilário (vendo as horas) - Bonito: Já não falta muito para ser a vez da Lúcia. Tem que se ir dizer que o soprano emudeceu. Vamos ter com o Júlio, pode ser que ele nos dê o frasco salvador.
Manivela - Sim, ele é que ficou sozinho cá na loja. Já tinham saído o Patrão e a Menina... espere... uma ideia.
Hilário - O quê? Mais ideias? O que nós precisamos é do remédio.
Manivela - Pois é o remédio a filha do Patrão!
Hilário – É farmacêutica?
Manivela - Qual farmacêutica! O que vai é cantar a parte da Lúcia. (pondo um dedo na testa) - Então saiu ou não saiu uma boa ideia?!
Hilário - Óptimo. E ela quererá ir substituir a outra depois das desfeitas que lhe fizeram?
Manivela (desalentado) - É verdade! Não me tinha lembrado disso.
Hilário - Mau! Mau!!!
Manivela (resoluto) - Vamos ter com a Isabelinha. Ela não é de reservas. Falamos-lhe ao coração. Se conseguirmos que cante estamos salvos!
Hilário - E o Procópio deixará? Se consentir, faço as pazes com ele.
Manivela - O meu patrão?! Ora, em se tratando de música séria...
Hilário - Oxalá. Mas eu juro que em questões de música séria, nunca mais me meto, nem mesmo a brincar. (Saem pelo F. E.)

(Mutação às escuras)

segunda-feira, abril 23, 2007

FILTRO D´AMÔR (PARTE V)


Procópio Profundo, o dono da loja A Boa Harmonia







* * * * * *


CENA IX

Isabel, Procópio, Manivela, Carlos e Figurantes


Carlos (entrando da rua com Figurantes meninas) - Como está, amigo Procópio? (apertam as mãos)
Figurante – Adeus, Sr. Manipanço.
Manivela - Manivela, Manivela.
Figurante - Desculpe. É tão parecido!
Manivela (levando a mão ao rosto) - Sou parecido…
Figurante – Não é o Sr.. O nome é que é.
Manivela - Pois em vez de Manivela o melhor é chamar-me Artur, que é a minha graça.
Carlos – Então, adeus ó Ártur.
Manivela - O Sr. Carlos traz hoje grande comitiva. Vão já para o Teatro ?
Carlos - Esperamos a Lúcia. Marcou o encontro para aqui.
Manivela (para Figurantes, em aparte ) - É só para fazer pirraça à Isabelinha.
Carlos - O Sr. Procópio não deixa de ir ao sarau...
Procópio - Os organizadores não foram muito gentis...
Isabel (atalhando) - Vamos, vamos, já temos os convites...
Manivela - Se o meu patrão não ia... ouvir a tal música séria, como ele diz, a mim é que não me interessa. Para mim, só o Fado!
Figurante - Aaaah, é fadista ?
Manivela (entusiasmado) - Se sou. Estas duas sílabas dizem tudo. (destacando) Fa...do. O Fa...do (vendo que Procópio está a olhar, finge que canta notas musicais) …fá… dó… lá… dó... sol...
Procópio – Pára lá com o solfejo e vai arrumando a loja que são horas de fechar.
Lúcia (entrando como um furacão) – Oh, Carlos, isto é que são horas? Farta de esperar que me fosse buscar a casa…
Carlos - Então a Lúcia não disse para virmos ter aqui ?
Lúcia - Eu? Está a sonhar…
Carlos (arreliado) - Ora essa. Quando nos despedimos não disse: Estamos todos na Boa Harmonia?! Boa Harmonia é o nome da loja do Sr. Procópio.
Lúcia (rindo) – Ai, que engraçado. Queria eu dizer que entre nós reinava a melhor harmonia. Boa Harmonia, isto ? Então você quer que um contrabaixo de filarmónica (aponta Procópio), uma corneta de comboio (aponta Isabel) e um berimbau sem palheta (aponta Manivela), formem alguma harmonia que preste ? (sai entre grandes risadas com as Figurantes) – Ah Ah Ah!!!...
Carlos (contrariado) - Desculpe, Sr. Procópio... a Lúcia excede-se por vezes. Ainda acabo por me zangar a sério com ela.
Procópio (muito sério) - Os insultos não nos atingiram. Deixe, Carlos, não se preocupe. Todos sabemos a falta que faz o chá. E aquela, apesar de Lúcia Lima, não sabe o que isso é. (Vai para a porta com Carlos, que sai).


CENA X

Isabel, Procópio, Manivela e Júlio


Júlio (entrando) – Então, Tio, houve questão com a Lúcia? Ela não é má pequena de todo.
Procópio (olhando de soslaio) - Ah não?! Pois guarda-a para ti. (Para Manivela) - Bom. São horas de fechar. Toma lá a chave. Se amanhã eu descer um pouco mais tarde, abres a loja. Até amanhã. (Para Júlio) - Tu não vens?
Júlio - Vou já, Tio.
Isabel - Até logo, Júlio. Adeus Manivela, até amanhã (saem Procópio e Isabel pela D. B.)
Júlio - Com que então o papagaio é que nos salvou, ahn?! Não o tenho ouvido.
Manivela - Aquilo a dona, assim que o apanhou curado, tirou-o logo para dentro. Sempre a mezinha fez efeito.
Júlio - Assim fizesse logo.
Manivela - Pode estar descansado. (Vai à gaveta do balcão e tira um frasco) - Aqui esta o remediozinho. E isto é a cura (mostra o outro frasco).
Júlio - Vê lá, não leves a cura em vez da doença.
Manivela - Isso sim, não vê o rótulo? (mostra)
Júlio – Gargantol I. Fixe.
Manivela – E este, Gargantol II, é que é a cura. Vai aqui para a gaveta. (mete-o na gaveta e guarda o outro na algibeira).
Júlio - Podes ir-te embora e fecha a porta. Eu já lá vou ter, ao Teatro, conforme combinei com o Hilário. Custou a convencer, o negregado...
Manivela - Ainda fica?
Júlio – Fico.
Manivela - Então até logo e afine essa goela.


CENA XI

Júlio


Júlio (monologando) - Ora se os planos não falham, o Carlos vai ter uma rabiada (rindo) - Ah, Ah, Ah. Mas tem que rabiar em silêncio. Destas só lembram ao Manivela. Mas se não é o tal Hilariante, não sei como seria a coisa. Mas assim, com amigos dentro da fortaleza… (vai à gaveta e tira o frasco) - Cá está o tal contra-veneno. É verdade, e o outro não será veneno? Ora, o papagaio tomou-o e não morreu. Ora se o Pinocchio escapou, também não morre o Carlos. O diabo é se o remédio ainda é fraco para ele. Goelas de papagaio é uma coisa, mas o Carlos que tem goelas de pato? (pausa) - O Manivela deve ter-se informado com o Basalicão. A esta hora já o Carlos deve ter a jeropiga no bucho. E ainda assim o Manivela se não arrependa, vou esconder o cura-mudos. (Sai pela D.B., levando o frasco do Gargantol II).

sexta-feira, abril 13, 2007

FILTRO D´AMÔR (PARTE IV)


Um disco brasileiro para grafonola à venda aqui na loja A Boa Harmonia, especialmente dedicado ao leitor/a brasileiro/a deste Blog que aqui entrou procurando "discos para grafonola". Calcule... tem Internet e ainda usa grafonola! Caso não lhe agrade este, é só dizer, que o Manivela vai buscar mais ao armazém... :))






* * * * * *

CENA VI

Basalicão, Hilário, Manivela e Isabel


Basalicão – Olhem que já mo tinham dito mas só acreditei quando vi o programa. Vai a Lúcia cantar ao Sarau e não convidaram a Isabelinha!
Hilário - Eu ouvi lá falar numa D. Isabel. Houve pedidos pela outra.
Manivela - A menina Isabel é filha cá do meu patrão. Uma cara linda e uma voz maravilhosa.
Hilário – Ah, é filha ?! Se eu tivesse sabido antes... que é uma toleirona essa tal Lúcia...
Manivela - Lúcia Lima.
Hilário - Lúcia Lima toma-se em chá pare as dores de barriga, não é, amigo Basalicão?
Basalicão – É, é. Ela como tem medo que a Isabel a ofusque, moveu grandes influências para a pequena ficar de parte. Schiu! Ela aí vem...
Isabel (Entrando pela D.B.) - Adeus Sr. Basalicão.
Basalicão – Adeus, menina Isabel. Sempre linda, mas triste, de há uns tempos para cá.
Isabel - Isso é desconfiança sua (Reparando no Hilário) - este Senhor... (Olha interrogativa para Manivela)
Manivela - O Sr. Hilário Hilariante, que nos veio vender umas músicas. Olhe, vá ver à montra.
Hilário - São tudo novidades, minha Senhora.
Isabel – Ah, sim ? Vou ver. Dirige-se à montra donde tira as músicas e vai passando) Olha que engraçado: a Canção do Tiro-Liro. Tu sabes como se dança, Manivela ?
Manivela - Eu não, senhora.
Hilário – Ó amigo Manivela, parece mentira. É muito fácil. (Vai trauteando e acompanhando com os gestos próprios, para ensinar ao Manivela que olha com grande atenção) - Lá em cima está o Tiro-Liro-Liro, etc, etc….
Manivela - (Tentando reproduzir) Lá em cima está o Tiro, etc. (Faz os movimentos todos trocados. Hilário torna a explicar. Basalicão e Isabel já dançam por seu lado.)
Isabel - Então ainda não aprendeste, Manivela? É tão fácil.
Manivela – Já sei, já sei, quer ver? (Põe-se a cantar e a dançar o Tiro-Liro).




CENA VII

Os mesmos e Procópio, depois Júlio


Procópio (entra pela D. B. deixando a porta aberta e fica a olhar Manivela que está a dançar o Tiro-Liro).
Manivela (reparando no Patrão fica atarantado e começa fingindo que procura qualquer coisa, pela casa toda).
Procópio - Que diabo perdeste tu?
Manivela (gaguejando) - Era... era… uma semifusa...
Procópio – Hein?
Manivela (atarantadíssimo) – Uma… uma… clave….
Procópio - Perdeste uma clave ?!
Hilário (Vindo em auxílio de Manivela) - Eu explico: é uma clave de Sol que eu costumo usar na gravata, um alfinete. Pensei que o tinha perdido mas agora me lembro que não o pus...
Procópio – Ah, era coisa sua; desculpe! Manivela, vai ali fechar a porta. (Para Hilário, em aparte) O meu empregado é assim, um pouco maníaco. (Manivela fecha a porta à chave e volta). Então, segundo me parece, o Sr. também é músico!
Hilário (Apresentando-se) - Dos pés à cabeça. Hilário Hilariante, representante da Rabeca Mágica.
Procópio - Não tenho a honra, conheço é a Flauta Mágica, de Mozart.
Hilário - A nossa casa é de recente fundação, mas marcha já na vanguarda. Vim hoje para apresentar as nossas últimas edições e mal avistei a sua loja o coração deu-me um baque...
Procópio (Confundindo) - Bach, diz muito bem, meu caro Sr. podia mesmo ter dado um Schubert, Beethoven ou Wagner, pois que a minha casa é o santuário desses inimitáveis mestres. Ó quanta glória passada, nos tempos em que não era qualquer que se atrevia a pisar um palco, a cantar essas páginas onde perpassa o verdadeiro génio...
Hilário - Ah, o Sr. cantou ?
Procópio - Acaso ignora o meu nome ? (Com ênfase) - Eu sou Procópio Profundo !
Hilário - O célebre Baixo !
Procópio - Em carne e osso !
Isabel - Então Papá, não sejas imodesto.
Procópio - Qual imodesto. A verdade deve dizer-se. E as testemunhas estão perto. Ali o amigo Basalicão decerto ainda não esqueceu esses tempos.
Basalicão - Nem nunca esquecerei, amigo Procópio. Era na minha farmácia que você se ia aviar qundo andava mal da garganta. Por sinal, até me ficou a dever uma dúzia de pastilhas de mentol.
Procópio – O que lá vai, lá vai! Isso é para compensar as vezes que você me impingiu água do contador por qualquer remédio caro.
Basalicão – Ó amigo Procópio, eu...
Hilário – Então! Não se vão zangar agora...
Procópio - Sim o momento não é de discórdia, é de evocação. Que grandes noites de arte...
Hilário - (Indo buscar as músicas que Isabel deixou à vista) - Inda bem, meu caro amigo, que o Sr. é não só um entusiasta, mas um. verdadeiro artista. (Vai-lhe estendendo as músicas)
Procópio (sem ver logo as músicas) – Não, apenas um entusiasta, mas sincero, fervoroso! Para mim a música é tudo. Bem entendido, aquela música séria, honesta, bela, enfim, aquela Música que se escreve com M grande. (Hilário vai encolhendo as músicas que queria mostrar). Quanto a esses Tangos lamechas e Foxes selvagens que hoje para aí se usam, de bom grado mandaria guilhotinar quem os faz, fuzilar quem os executa e enforcar quem os vende. Felizmente em minha casa nunca entrou esse escalracho.
(Manivela e Hilário têm dado os mais vivos sinais de inquietação e este último tenta esconder os números de música que tem na mão, mas Procópio agarra-os)
Procópio (Agarrando as músicas, ainda na mão de Hilário) Ora vamos lá a ver o que me traz.
Hilário (Resistindo) - Não merece a pena, talvez... O Sr. não estará ocupado ?
Procópio - Não. Desculpe-me toda esta conversa antes de o atender. (Tira as músicas, vai vendo e dando mostras de grande furor .Valsas? Foxes, Tangos, pepineiras, maluquices ? (Crescendo pera Hilário) E o Sr., veio vender-me isto ?
Hilário (Fazendo-se forte) - Perdão! O Sr. Manivela já se comprometeu a comprar-me esses números mesmo!
Procópio - A comprar? Comprometeu? Não estou em mim! Com que autoridade? Quem é o dono da casa? Quem é aqui o patrão, (Batem à porta D.B.) - quem é?
Júlio (De fora) - Sou eu!
Procópio (Para Manivela) - Vai abrir.
Júlio (Entrando) - O Tio desculpe se interrompi. Não é costume estar fechada (aponta a porta).
Procópio (Para Manivela) - Não te tenho já dito que não quero a porta fechada quando eu cá não estou ?
Manivela - Mas o Sr. está…
Procópio – Estou, mas podia não estar…
Júlio (Para Procópio) - Mas que aconteceu? O Tio parece estar exaltado.
Procópio – Não, já estou calmo. (Para Manivela) - Nós depois falaremos. (Para Hilário) - E você, seu caixeiro viajante das dúzias, que tem o desplante de se dizer músico, que tem a audácia de usar uma clave de Sol espetada na gravata, que tem o arrojo de usar gravata pendurada ao pescoço e que tem a sorte de ainda ter o pescoço pegado ao corpo, não o mando, a você e à sua Rabeca Mágica, pentear macacos, porque estou convencido que isso é uma coisa que você já faz todas as manhãs ao levantar-se (Vira-lhe as costas).
Hilário (Furioso) - Alto lá, seu Procópio. Você está a chamar-me macaco e isso é demais, não consinto. Ainda me calei quando você mostrou desejos de me cortar a cabeça; agora quer o rabo, é demasiado. Protesto!
Procópio - Pois então vá protestar lá para fora, que não o quero ver aqui nem mais um momento.
Hilário - Vou, porque não lhe quero faltar ao respeito diante da Senhora sua Filha. Mas deixe estar você, seu Procópio Profundo que eu, Hilário Hilariante, Chefe da Publicidade do Teatro Folias Brejeiras, não me hei-de esquecer de gabar a sua voz. Hei-de dizer que ela é tão baixa, tão baixa, que para a gente a ouvir - e aplaudir – só de cócoras! (Sai pelo F.E.)
Procópio (Correndo para a porta) – Ah, tratante! (Fica fazendo gestos furiosos para fora).




CENA VIII

Isabel, Procópio, Júlio e Manivela


Isabel (Olhando para o pai) - Então Papá, não se exalte mais. Bem sabe que isso lhe faz mal.(Ficam falando baixo).
Júlio (Para Manivela) – Mas afinal quem é esse tipo que saiu?
Manivela - É do Teatro Folias Brejeiras. Está nas mãos dele a partida a fazer ao Carlos.
Júlio - Então achaste? O que é?
Manivela - Não há tempo. Uma coisa para enrouquecer. Veja se encontra esse tal Hilário e se o convence. Ele explica-lhe melhor.
Júlio - Vou já tratar disso. Até logo, Tio ( Sai por F.E.).
Procópio (Que tem estado a falar baixo com Isabel) - Até logo. (Para Manivela) - Ora vamos lá a saber...

(continua)

domingo, abril 08, 2007

FILTRO D´AMÔR (PARTE III)







CENA V


Manivela, depois Hilário, no fim Basalicão


Manivela - E é que vou mesmo dar à manivela. (Põe-se a dar corda à grafonola e a tocar um disco. Senta-se pensativo)

Hilário (Entrando pelo F.E. com uma grande pasta e um maior à-vontade). Muito bons dias, meu caro senhor.

Manivela (Parando a grafonola e Aparte) - Lá vem este interromper-me a cogitação. (Alto) - Passou bem?

Hilário - Permita-me V. Ex.ª, que me apresente (Estende um cartão de visita, tipo comercial)

Manivela (Lendo) - Hilário Hilariante, representante da Rabeca Mágica.

Hilário - Tal qual. E venho, em nome dessa importante empresa, apresentar-lhe as nossas últimas edições. Sucessos, só sucessos. (Vai abrindo a pasta e tirando músicas) - Ora tenha a bondade de ver.

Manivela – Mas, meu caro senhor...

Hilário (Atalhando rápido) - Perdão, queira V. Ex.ª. apreciar: (Lendo os tftulos das músicas) - A Dança dos Gansos, Balalaika, Canção do Tiro-Liro, Argentina... A novidade dos nossos produtos atinge o mais alto da escala e, quanto a preços, pode V.Ex.ª ficar certo de que transportamos sempre uma Oitava abaixo.

Manivela - Não digo que não, mas...

Hilário (interrompendo) - Portanto pode V. Ex.ª. escolher sem receio...

Manivela (que várias vezes tem tentado falar sem resultado, solta um berro) - Oohh!!!

Hilário (cala-se de súbito.)

Manivela - O que me admira é que você sendo caixeiro viajante de músicas, não sabe o que é uma pausa.

Hilário - Então não sei? Eu...

Manivela (Interrompendo por sua vez) - Então se sabe, faça uma. E pode ser mesmo a pausa final. Eu não sou o dono da casa.

Hilário (Sem fazer reparo) - Folgo muito, folgo muito... (Caindo em si, de súbito) - Não é o dono... porque não disse você isso logo?

Manivela - Você não me deixou. Estava a falar a solo.

Hilário - E você não está autorizado a comprar?

Manivela (Abana negativamente a cabeça.)

Hilário (Coçando a cabeça, faz uma pausa. Depois com uma determinação rápida) Pois então faça uma coisa. Exponha uns números destes na montra. Isto é sem compromisso. E não se dirá que foi em vão que visitou esta casa Hilário Hilariante, representante da Rabeca Mágica e Chefe da Secção de Publicidade do Teatro Folias Brejeiras.

Manivela (Subitamente inspirado) - O senhor disse do Teatro Folias Brejeiras ?

Hilário - Com muita honra.

Manivela (Como se lhe tivesse saído a sorte grande) - Pois amigo Hilariante, estimo muito conhecê-lo! (Estende-lhe a mão)

Hilário (Apertando a mão do outro) - Como passou? E a família como está? Sua esposa ?

Manivela - Eu sou solteiro.

Hilário - Ah, desculpe. (Silêncio) - Mas de que estávamos nós a falar?

Manivela (Muito sério) - Como tive a honra de lhe dizer, tenho muito prazer em travar conhecimento consigo. (Apresentando-se) Eu sou Artur Manivela.

Hilário (Ouvindo mal) - O senhor disse Artur...

Manivela - Manivela!!!

O Papagaio (dos bastidores) - Ó Maniveeeeela!!! (prolongando a sílaba "ve")

Hilário (Surpreendido) - Ainda não tinha dado por tal, mas parece-me que esta casa tem uma certa ressonância.

Manivela - Tem, tem… mas agora que nos conhecemos…

Hilário - Eu sou Hilário...

O Papagaio (dos bastidores, interrompendo) – Ó boticáááário!!! (Prolongando a sílaba cá)

Hilário (Olhando em redor, desconfiado) – É extraordinário...

Manivela - Não dê ouvidos. É um papagaio. Quando lhe apetece, vá de chamar-me e ao farmacêutico ali da frente. É uma seca.

Hilário - Bom. bom. Mas íamos nós dizendo...

Manivela – Não é no teatro Folias Brejeiras que hoje canta o Carlos Saldanha?

Hilário - Pois é. Não viu os programas?

Manivela (Decidido) - Vi sim. É preciso que ele não cante e conto consigo.

Hilário - Para cantar?

Manivela – Não. Para o impedir de cantar a ele. E prometo-lhe que a casa lhe compra as suas novidades. Olhe já aqui as vou pôr na montra. (Leva as músicas para a montra).

Hilário (abanando a cabeça negativamente) - Nada, não pode ser. Era um descrédito para a empresa. Um sarau de gala, vão entidades oficiais, diplomatas, a nossa primeira sociedade... Não pode deixar de realizar-se o espectáculo.

Manivela - Mas quem lhe diz que não se realiza ??

Hilário - Sem Tenor?

Manivela - Arranjava-se outro. Ia o Júlio Perfeito. Não conhece ?

Hilário - Tenho ouvido falar. Mas será ele tão bom como o Carlos?

Manivela (Aparte) - Aí é que a porca torce o rabo. (Alto) É, é,...diz ele.

Hilário - Hein ?

Manivela -Digo que sobre esse assunto não tenha receio.É até melhor.

Hilário - E ele saberá o papel que tem de desempenhar?

Manivela (Sorridente) - Na ponta dos dedos. (Preocupado) O ponto lá do teatro é bom ?

Hilário - Um ponto... de exclamação, meu amigo!!!

Manivela - Então não há novidade.

Hilário - E as musicazinhas ficam ?

Manivela - Negócio arrumado.

Hilário - Pois estamos de acordo. O Carlos não canta.(Pausa) Mas não canta porquê ?

Manivela (Após um silêncio) - É verdade, ainda não se arranjou maneira de impedir... Puxe você também pela mioleira, seu Hilário.
(Ficam ambos pensativos)

Hilário - Não há maneira...

Manivela - Puxe, puxe...

Hilário (Sorridente) - Ah…

Manivela - O que é, o que é?

Hilário (Vai a dizer mas... compungido) - Esqueci-me…

Manivela (Faz um gesto contrariado. Outro silêncio. )

O Papagaio – Ó Manivela !

Manivela (Súbito) - Eureka !

Hilário - Agarre, agarre!

Manivela- Já agarrei e estamos salvos, Salvos pelo papagaio.

Hilário - O quê ? Vai cantar o papagaio ?

Manivela - Nada, nada. É que eu quando quero que o maldito papagaio se não ouça, dou-lhe um remediozinho que me fornece ali o Basalicão. Fica rouco para mais de três dias. Fazemos o Carlos tomar uma pinga e pronto. (Apontando a própria cabeça) Então saiu ou não saiu?!

Hilário - Pois saiu. Mas isso não será veneno? Não poderá tirar a voz ao rapaz ?

Manivela - Isso sim, pergunte ali ao Basalicão. (Mexendo na garganta) O mal é temporário e também tenho outro remédio que faz a voz voltar quase instantaneamente. É o que dou ao bicho quando a dona me ameaça com a polícia.

Hilário - Tenho as minhas dúvidas e hei-de informar-me com o Basalicão. Entretanto você jura-me que toda essa história não me mete em sarilhos?

Manivela (estendendo a mão) - Palavra de Manivela.

(Apertam as mãos e vão fazendo o movimento rotativo da manivela).

(Segue o terceto cómico)

Terceto Cómico

Manivela - Dando à manivela
vivo sem cuidados


Hilário - E eu sem mais aquela
impinjo os meus fados.


Ambos - Quando é fixe, a malta
faz um figurão


Manivela - Sabe quem cá falta?


Basalicão (entrando pelo F.E.) - O Basalicão.


Basalicão - Adoro a soneca
e os bons petiscos.


Manivela - E eu cá na lojeca
vou tocando discos.


Ambos - O nosso elixir
é extraordinário.


Basalicão - Quem rebenta a rir?


Hilário - É cá o Hilário.

Hilário - Não há quem me vença
na Publicidade.


Basalicão - Livro da doença
a Humanidade.


Ambos - Papagaio real,
que tens na goela?


Hilário - Fizeram-lhe mal...

Manivela - Foi o Manivela.


TODOS (Marcação própria -
Fazem roda - dois fazem
arco dando as mãos e
o outro passa por baixo.) -


Somos todos três
feitos de igual massa
passa tu uma vez...
repassa, perpassa.


(Fazem roda, acabando
por se abraçarem todos
três em cacho.)


Haja bródio e festa
saúde, alegria.
Seja manifesta
a Boa Harmonia!

(continua)

quarta-feira, abril 04, 2007

FILTRO D´AMÔR
(PARTE II)



CENA III

Manivela, depois Basalicão


Manivela - Eu badalar... sou mais mudo...(Levando a mão à testa) Ora o boticário que ainda me não trouxe a xaropada. (Vai à porta da rua e chama): - Ó seu Basalicão! (pausa) Ó vizinho Basalicão! (Aguarda um momento e vai dando passagem)
Basalicão - Você está impaciente, homem. Isto demorou porque teve que ser filtrado várias vezes.
Manivela - E dará resultado ?
Basalicão - Garantido!
Manivela - (tirando um pequeno frasco duma gavêta do balcão) Ainda aqui tenho isto (Lendo o rótulo) – GARGANTOL – 1º - Para tomar às colheres de pau. (Rindo) Ah Ah Ah!!
Basalicão – O rótulo é para disfarçar (entrega-lhe o 2º frasco, que traz, e recebe o 1º). Agora leia.
Manivela – (lendo o rótulo do 2º frasco)- GARGANTOL - 2º - Ajeite quando usar. Ah, Ah!, ajeite é muito boa, seu Basalicão.
Basalicão – (Olhando o conteúdo do 1º frasco) - Você chegou-lhe uma dose forte, ahn?
Manivela - Se lhe parece. O maldito papagaio estava todo o santo dia: (imitando) Ó Manivela, ó Manivela! (alto) - Pedi à vizinha para o mudar para o saguão; ia-me comendo. ”Eu, tirar da janela o meu Pinocchio?” que o papagaio era muito seu, e desde que Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil, sempre se têm visto papagaios pendurados nas janelas.
Basalicão – Vá lá responder a uma dessas.
Manivela - Foi então que pedi o seu concurso, amigo Basalicão! Foi remédio santo. Misturei-lhe a droga na paparoca e há 3 dias que o papagaio se não ouve. Está que parece uma rã (imitando) ââh, ââh...
Basalicão - Isto é seguro. Ataca de tal maneira a guela que só ao fim de muitos dias passa a rouqueira.
Manivela - Mas a dona parece que farejou que fui eu, fez barulho. ameaçou ir queixar-se à polícia, e tive que prometer que lhe curava o bicho.
Basalicão - Pois dê-lhe isso (aponta para o 2º frasco) que meia hora depois está bom. E é pena. Não tarda que o maldito recomece a meter-se com a vizinhança É cada grito! (imita) Ó boticário!!!...
Manivela - Tem que ser, senão entra a Polícia (Basalicão vai a sair). E deixe cá ver esse também, homem... ainda pode fazer falta.
Basalicão – (entregando o 1º frasco) - Mas não abuse, ahn! (Sai de cena Basalicão pelo F.E.)
Manivela - Ora vamos lá deitar esta mistela na comida do papagaio, a ver se o maldito recupera a fala (Sai igualmente pelo F.E.- porta da rua).



CENA IV

Júlio, depois Manivela



Júlio (entrando pela D.B. e não vendo ninguém) - Nem o pateta do Manivela, nem a sonsa da minha prima. A loja desamparada. Se agora entrasse o meu tio, havia de ser bonito. (pausa) E eu que preciso de falar ao Manivela (pausa) Ah! lá vem ele.
Manivela - (que volta da rua) - Boa tarde, Senhor Júlio.
Júlio - Onde é que estiveste metido para deixares a casa às moscas?
Manivela- Estive só aqui à porta, a dar este remédio (mostra o frasco) ao papagaio da vizinha - o Pinocchio - que está rouco.
Júlio - Bem. Venho lembrar-te a nossa combinação. Já achaste algum estratagema?
Manivela - Ainda nada, senhor Júlio; é muito difícil...
Júlio - Lembra-te bem do combinado. Bem sabes que a recompensa é boa.
Manivela - Eu bem queria. Mas se não arranjar maneira?!
Júlio - Tens de arranjar e é já para, hoje. (Tira um programa da algibeira) Cá está. (Lendo) Hoje, realiza-se no Teatro Folias Brejeiras um grande Sarau de Gala, etc., etc.. Olha os números: tal, tal; para terminar, o final da Opereta "Joujoux e Balangandans", cantado por D. Lúcia de Lima e pelo Sr. Carlos Saldanha, com coros. (Vai dobrando o programa). Ora isto é que é preciso evitar. Arranja as coisas de maneira que ele lá não possa ir cantar. Eu estou lá hora de começar e vou substituí-lo; e com vantagem.
Manivela (Aparte) - Com vantagem? Não me parece. (Alto) Eu pensei que talvez...
Júlio (Apressado) - Diz, diz...
Manivela - Talvez se se eonseguisse que a Dª. Lúcia não cantasse ele também lá não fosse!
Júlio – Não, isso não. E depois, quem a substituiria?
Manivela - A menina Isabel, por exemplo.
Júlio - A minha prima? Isso sim, é acanhada para aquilo. E mesmo não queria.
Manivela - Isso é que o senhor não sabe...
Júlio – Em vez da outra ? Elas estão a ferro e fogo. Não! A Lúcia tem de cantar, o Carlos é que não.
Manivela (Aparte) - O que tu queres é ir fazer figura ao lado dela. Também estás pelo beiço. (Alto) Isto é o diabo…
Júlio - Qual diabo! Já não é a primeira vez que tu tens ideias salvadoras. Procura. Manda-lhe um telegrama a anunciar a morte do tio rico que ele tem lá para o Norte.
Manivela - O quê? Se ele soubesse que lhe tinha morrido o tio rico, ainda cantava melhor…
Júlio - Não sei, resolve. Deixo o assunto nas tuas mãos. Quando voltar quero ter já o plano completamente urdido. Até logo. Vamos, homem, dá umas voltas à manivela, a ver se isso sai. (Sai pelo F.E.).

(continua)

terça-feira, março 27, 2007

FILTRO D´AMÔR
(PARTE I)

Filtro d´Amôr

Caros amigos, hoje, Dia Mundial do Teatro, inicio a publicação da comédia musicada "Filtro d´Amôr", escrita por meu Pai em 1941. Dado o muito mau estado do original, dactilografado e do qual podem ver as primeiras páginas, estou a escrevê-lo de raiz no WORD. Também estou a utilizar a Ortografia actual, nomeadamente retirando bastantes acentos circunflexos, pois nesse tempo até AMÔR o levava... bons tempos!!! Já não há AMÔR como o de antigamente... e muito menos Filtros que o favoreçam ;)... - Aspásia.

AS 5 PRIMEIRAS FOLHAS
DO ORIGINAL









FILTRO D´AMOR

Comédia Musicada

1 ACTO e 2 QUADROS



Original de

FRADIQUE


(Rui Nascimento)

SETÚBAL, 1941

* * * * * *


PERSONAGENS


PROCÓPIO PROFUNDO − Velho baixo de Ópera, dono da loja “A Boa Harmonia”.

ISABEL − Filha de Procópio.

CARLOS SALDANHA − Tenor (Galã).

JÚLIO PERFEITO − Sobrinho de Procópio.

LÚCIA DE LIMA − Rival de Isabel.

MANIVELA (ARTUR) − Empregado de Procópio.

HILÁRIO HILARIANTE − Caixeiro viajante de músicas.

BAZALICÃO − Boticário.

PINOCCHIO, O PAPAGAIO − Ave canora e falante. (Personagem de bastidor)
...................................................

FIGURANTES.

………………………………………………


ANOS 40 DO SÉC. XX

………………………………………………

TODOS OS PERSONAGENS DESTA PEÇA SÃO PURAMENTE IMAGINÁRIOS, E QUALQUER SEMELHANÇA QUE PORVENTURA POSSAM TER COM ENTES REAIS DEVE SER TOMADA COMO COINCIDÊNCIA FORTUITA.

...................................................

ACTO ÚNICO

1º Quadro

No interior da loja “A Boa Harmonia”, casa de artigos de música. No fundo, à esquerda, há uma porta para a rua; à direita uma montra. À D.A. um pequeno balcão e à D.B. a porta de comunicação da loja com a habitação. Cadeiras, instrumentos, livros e músicas. Um pequeno móvel com uma grafonola e discos espalhados.

CENA I

Isabel, Carlos, Lúcia, depois Manivela.

Ao levantar o pano, Lúcia está sentada, Carlos encostado ao balcão e Isabel junto à grafonola que está acabando de tocar uma ária pretensiosa.


Isabel (depois de a grafonola se ter calado) − Como achou este número, Senhor Carlos ?
Carlos - Gostei bastante. E a Lúcia ?
Lúcia (desdenhosa) - Não gostei, nem desgostei... banal...
Carlos (conciliador) — Não me pareceu de todo mal...
Lúcia – Já se sabe que você tem o gosto estragado.
Carlos (aproximando-se) - Não em tudo, Lúcia, acredite-me...

(Isabel desvia a vista, magoada pelo interesse que Carlos parece ter por Lúcia).

Lúcia - Ora... ora...
Manivela (entrando pela porta da rua, às arrecuas, e falando para fora) - Então não se esqueça do meu pedido, amigo Basalicão… obrigado (reparando na freguesia e para Isabel) - Porque não me chamou, menina Isabel ? Eu tinha atendido.
(Para os fregueses) - Então já escolheram ? E que mais há-de ser?
Lúcia - Afinal não nos agradou nenhum dos discos. Decididamente tudo o que há nesta casa é muito banal, muito fora de moda...
Manivela - Ó minha rica Senhora, desde que V.ª Ex.ª. aqui entrou, nem tudo está fora de moda....
Carlos - Ora a Lúcia tem coisas… também não sei o que lhe agrada. Corremos já três ou quatro estabelecimentos e não se resolve a comprar.
Lúcia - Se o Carlos. está aborrecido... eu não lhe pedi para me acompanhar...
Carlos – Não, isso sim… Bem sabe que tenho sempre muito prazer em lhe fazer companhia.
Manivela – Mas minha Senhora, tenho ainda aqui uma canção…
Lúcia (interrompendo) – Não se incomode. De resto (vendo as horas) já é tarde… (para Carlos) Eu vou para casa, Carlos.
Carlos – Se me permite, vou acompanhá-la.

(Saem ambos. Lúcia sem dizer adeus; Carlos baixa a cabeça a Isabel).


CENA II

Manivela e Isabel

Manivela – Uf! Freguesia desta… (para Isabel) A menina Isabel não diz nada? isso é que a perde. Ouve, ouve, ouve, e muda como um penedo. Veja essa tal Lúcia! Aquilo é um chalrear. E sempre desdenhosa e presumida. A toleirona julga-se superior. Mas é com todo aquele fogo de vista que se faz notar e tem mais de um pretendente. O Carlos, esse então está mesmo pelo beicinho. Não vê outra coisa… (intencional) e coisas que valem muito mais…
Isabel – Ó Artur, lá começas tu. Deixa lá… então, ele gosta dela…
Manivela – Deixa lá, não! Que não gosto de ver a menina andar triste. Ou não fosse eu empregado de seu pai já há perto de 15 anos, conhecendo-a a si desde pequenina. (pausa) Ele gosta dela? Ele é um palerma (gesto contrariado de Isabel). Um palerma, sim senhora. (Isabel amua) – (Aparte) Ó Diabo, lá amuou. (Alto) Um palerma é modo de dizer… ele é muito bom rapaz… e tem uma linda voz.
Isabel (contente) – Pois não tem? E é tão simpático, tão insinuante… (caindo em si) Ora, lá estou eu a divagar…
Manivela – Deixe lá que os sonhos às vezes tornam-se realidades.
Isabel (encolhendo os ombros) – Isto para mim nunca passará dum sonho…

(Isabel canta uma canção de amor. Manivela fica embasbacado a ouvir).


O MEU PRÍNCIPE

(Canção de amor)


Num certo conto de fadas
e de moiras encantadas,
um jovem Príncipe havia.
Quando ouvia essa quimera,
´inda pequenina eu era,
era a ele a quem mais queria.

Tinha todo o meu afecto,
era o meu amor secreto
que eu não contava a ninguém.
Eram sonhos de criança,
não cheguei a ter a esperança
que ele existisse também.

Mas quando um dia te vi,
o meu Príncipe esqueci
e dei-te o meu coração.
Tu nem em mim reparaste
e indiferente passaste,
sem ver a minha paixão.

Quis voltar ao antigo amor,
mas ai!... já não tem sabor
a velha história esquecida!
O sonho de amor de então,
não passava de ilusão…
Só tu p´ra mim és a vida!

Manivela (quando Isabel se calou) - Consigo é que o Carlos fazia um dueto bonito.
Isabel – Lisonjeiro! (retirando-se) Olha, até logo. E agora não vás badalar isto! É segredo entre os dois. (Sai pela D.B.)

(Continua...)

PS - Aceitam-se inscrições para o personagem de bastidor Pinocchio, o Papagaio. Se, por outro lado detectarem Gralhas... digam nos comentários, s.f.f.!

quarta-feira, março 14, 2007

CANÇÃO DA AMIZADE

Amizade
Sempre,
a Amizade seja Lei,
sem qualquer decreto,
nem legislação.
Seja um sentir concreto,
de ideais repleto,
voz do coração.

Tenha
o querer entusiástico,
dominadôr, orgástico,
tal qual nova paixão.

Assim eu quero,
sinceramente espero,
que a Vida tenha um toque de ternura;
braços abrir possamos à Ventura,
Oh, Amizade,
és Amor sincero!


Canção da Amizade - Música


Letra e Música de Rui Nascimento


19 Maio/2002

domingo, fevereiro 25, 2007

Enquanto Houver Tempo

Soneto dedicado à M.ª João


MOTE

“Enquanto houver Tempo”


(dado pela Maria João)


SONETO


Tempo é “ser” muito misterioso,
guloso de todo o bom adjectivo,
inimigo feroz do negativo,
oscila entre feliz e horroroso.

Será nosso Futuro tenebroso?
Esperar-nos-á algo estimativo?
Quem dita o Bem e o Mal é generoso?
Havendo Mal proporciona lenitivo?

Desvendo agora a causa destes versos,
prestando homenagem, com todo o coração,
à professora amiga Maria João.

E agradecimentos, porque dela obtive
força para varrer temores adversos.
E ,“enquanto houver tempo”, gritarei: VIVE!


R.C. Nascimento
24 Fevereiro 2007

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Pedido de um Mote à D.ª Maria João


Agradecendo o seu beijo
de amizade sincera,
não quero que seja quimera
este meu simples desejo:
que em seu pensamento brote
o que a Musa sugerir,
palavra a constituir
um belo e ardente Mote!
(R.N. 07-02-21)

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

TESTAMENTO DA VELHA




Este é o meu testamento
que eu fiz neste momento
em que digo adeus à vida.
Sentia a garra da Morte
a apertar-me o gasganete,
terrível, qual diabrete.

Mandei chamar o vigário,
o médico, o boticário,
uma benzedeira d´olhados;
no momento derradeiro
apareceu o cangalheiro
e quatro gatos-pingados.

Já traziam o caixão,
fiquei cheinha de horror
e soltei tremendo berro.
Nisto, oiço o Sacristão:
“Pregunta o Senhor Prior
a que horas é o enterro”.

Toda a gente em alta grita
quer ser primeiro atendida;
vem de lá o cangalheiro
com um metro de carpinteiro,
quer tirar-me a medida.
“Espere lá – diz o Doutor –
não queira ser metediço;
deixe a velhota auscultar
e depois de eu receitar
faça então o seu serviço.”

O boticário, exaltado,
´té arrepela os cabelos.
E a benzedeira d´olhados,
p´ra afugentar os maus fados,
vai espetando novelos...

Já farta de confusões,
pus essa gentinha a andar
e pensei com os meus botões:
p´ràs minhas disposições,
vou o notário chamar.

E fiz este testamento
de bens móveis e imóveis
e até de semoventes.
Se não agradar a todos,
Sempre é certo que p´los modos,
Vocês são muito exigentes.


Deixo à antiga Direcção
coisas de grande estadão:
ao Amílcar, um capacho,
para a falta de penacho.
E agora sem piada,
esta deixa que é sentida:
que torne a amar a Vida
e recobre a cor rosada.
E não se vá de longada,
é também desejo meu,
para sítio ignorado;
antes volte ao Ateneu,
onde tanto é estimado.

Ao Pacheco relojoeiro,
deixo um disco bem gravado
com um discurso inflamado
p´ra convencer o parceiro.
Poupará muito dinheiro
aproveitando o seu tempo,
porque os dias estão maus.
E no fim de toda a prosa
diz o disco em voz chorosa:
“o concerto é 20 paus.”

Também ao nosso Guilherme
da Circuncisão chamado,
eu vou fazer um legado
que é mesmo de pasmar:
aqui lhe deixo ficar
um triste encargo, afinal,
é ir ao meu funeral
com cara de sentimento.
Como não sou egoísta,
E como ele é um artista,
se for só, nada lamento,
´té dispenso a multidão,
basta-me o seu rabecão
para o acompanhamento.

Ó Marques, tu marcas sempre,
tu marcas em toda a parte,
destacas de toda a gente,
tens elegância e tens arte.
O que é que eu hei-de deixar-te
que te alegre o rir já franco?
Como tens bom coração,
olha, aí fica um tostão
para as falhas lá do Banco.

Machadinho, querido filho,
já não chego a ser avó,
já não canto o sol-e-dó,
já não trauteio o estribilho.
E na hora de morrer,
certo voto vou fazer,
que vai espantar os mirones:
como tens linhaça e lata,
deixarás os Telefones,
passarás a diplomata.

E deixo ao Henrique Dias,
uma pedra de amolar,
onde ele sem arrelias,
possa a tesoura afiar.
E também lhe quero legar
um tinteiro e três canetas
que ele poderá usar
no jornal que vai fundar,
“O Almocreve das Petas”.

Não esqueço a Orquestra Pontes,
tão cheia de cor e vida.
Eu, uma velha carcomida,
quando a ouvia tocar,
ainda sentia ganas
de ir pular e dançar.
E pelos votos que faço,
verás tu, amigo Pontes,
que eu não tenho mau génio;
que toques por vales e montes,
contratado pelo Eugénio.
E já alta madrugada,
depois de muito tocares,
paguem à rapaziada,
além da massa fixada,
umas horas suplementares.

E deixo ao José Faria,
Uma garganta de prata,
pois, como tem muita lata,
´inda ópera cantar podia.
E indo abrir loja nova,
para endireitar a vida
vou-lhe dar uma receita:
nada venda por medida,
mas sim tudo obra já feita.
E aos sócios em geral,
eu quero dar um conselho:
passem ali p´lo bufete
que há lá um vinho velho
que é de tirar o barrete.

Ao Nogueira vou dizer
aqui, sem que ninguém ouça:
casa depressa com a moça,
não esperes envelhecer.
Se ela. já farta de esperar,
te vem a dar com a janela,
não tornas a encontrar
uma pequena como ela.

E falando das senhoras,
só elogios posso ter
à sua elegância e graça...
o perfume que perpassa...
enfim, todos estão a ver.
Deixo-lhes um grande valor
que poderão pôr à prova:
isto é, um filtro d´amor
do mágico Barzabum.
Mostrem do que são capazes,
façam ralar os rapazes;
quando eu era também nova,
não me escapava nenhum.

E tu, ó Pereira da Silva,
cada vez estás mais menino,
e como nasceste em Março,
´inda hás-de ser Marcelino.
Visto a vida estar bicuda
vais apanhar a taluda;
deixo-te uma benzedura
para curares a mordedura
que te deram certos cujos,
e assim poderes arejar,
espanejar e lavar,
processos velhos e sujos.
À Orquestra dos Fininhos,
alguns sambas deixaria
se soubesse que ainda dançam
o Macedo e o Faria.
Mas como um agora é tropa
e o outro anda arredio,
levo os sambas para a cova
e não solto mais um pio.

E ao Agostinho Albino,
eu cá não deixo nem bóia,
pois já tem muito de seu,
que desde a guerra de Tróia,
ainda não apareceu
neste mundo uma outra Helena
que chegue à sua pequena.

Ao Arnaldo então eu deixo
um bom vaporizador
e uns maus cheiros muito finos
que é para ele seringar
determinados meninos
que se juntam lá na loja
a fazer sala de estar.

Fialho, vou-te deixar
em honra ao teu bigodinho,
uma incumbência taluda:
escreve para o “Pensa e Estuda”,
que aquilo está muito fraquinho.

Ao animador Candeias
vou contemplar de tal modo
que até se vai derreter...
deixo este espólio todo:
uns sapatos e umas meias
que eram do Fred Astaire.

Ao Soares, sempre animado,
bom amigo que se tem,
deixo trinta corridinhos
para ele dançar aos pulinhos,
ele é que sabe com quem.

Ao Arôcha quero deixar
uma coisa que lhe preste
nunca será codilhado
sempre que tenha arranjado
quatro trunfos de Ás e Best.

Esgotados os meus haveres,
ao findar o meu sofrer,
no momento derradeiro,
´inda tenho um gesto terno:
entrego a alma ao Inferno,
deixo a carcaça ao coveiro.

VELHA GAITEIRA

(R.C.NASCIMENTO)

(Lido pelo Autor no ATENEU SETUBALENSE, Baile de Mi-Carême, em 22 de Março 1941)

sábado, fevereiro 17, 2007

O CHINÊS TA TCHI FU LI

O CHINÊS TA TCHI FU LI
TOCA FLAUTA DE BAMBU
QUANDO ACABA DE TOCAR
METE A FLAUTA NO... BAÚ!

(Autor desconhecido)


"Gu Su Xing"

(Foto LIU TEH FU - Rua da Felicidade, 29 - MACAU)

(GRANDE EXPOSIÇÃO DO MUNDO PORTUGUÊS - 1940)

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

AS RUAS DA MINHA VIDA
(Dedicado ao Dia de S. Valentim)


As Ruas da Minha Vida

- FADO -

I

Foi na Travessa da Espera
que te esperei inutilmente;
senti que o desejo mente,
chamei à esperança, quimera.
A incerteza, essa fera,
hora após hora enfrentei,
se alguma vez desesperei,
foi na Travessa da Espera.

II

Mudei p'rà Rua da Esperança,
fiado numa crendice,
porque alguém um dia disse:
quem espera sempre alcança.
Acreditei na mudança,
sonhei uma nova vida
e em hora decidida,
mudei p'rà Rua da Esperança!

III

Velha Praça da Alegria,
disseste que o Amor voltava.
Quando entrei, acreditava,
quando saí... já não cria.
Foste apenas fantasia,
agora perdeste a fama,
quem te amava já não ama,
velha Praça da Alegria.

IV

No Beco do Fala-Só,
há um clube recatado,
num Carnaval mascarado,
lá fomos, de “Dominó”.
Não quero que só por dó,
penses um dia voltar,
antes quero a sós falar,
no Beco do Fala-Só.

V

Triste Rua da Saudade
transformaste esta amargura
numa vida de loucura,
andei louco p´la cidade.
A tua deslealdade
bradava à Terra e aos Céus,
e eu por fim te disse adeus,
triste Rua da Saudade.

VI

Moro na Rua da Emenda
mas tu nunca te emendaste,
dessa vida que levaste,
numa amarga, infeliz senda.
não é que eu me arrependa,
de ter gostado de ti;
mas emendei-me e esqueci:
moro na Rua da Emenda!


Letra e Música de Rui Nascimento
25-06-1997

Este poema ganhou o 2º Prémio dos Jogos Florais do SAMS de 2006.



"QUANDO ALGUÉM SE DISPÕE A ESCREVER, DEITA SEMPRE COISAS BONITAS CÁ PARA FORA"

(Frase de um dos membros do Júri)

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

O TOLO SENTADO

Tolo Sentado
TOLO SENTADO

Medita, oh tolo que ostentas
poder, em trono altaneiro,
e, afinal, tu só te sentas
sobre o teu próprio traseiro


Num Mundo em dissolução,
cheio de notícias cruentas,
vê se não tenho razão,
condenando a ostentação;
Medita, oh tolo que ostentas.

Tu, em luta malfazeja
queres sempre ser o primeiro;
corrói-te a cruel inveja,
sem conseguires que se veja
poder, em trono altaneiro.

Queres clamar, pôr-te em pé,
dar ordens, mesmo violentas,
mas a triste verdade é
que perdeste esperança e fé
e, afinal, tu só te sentas.

Pára, pois, de ter em mente
só dar valor ao dinheiro.
Para a todos fazeres frente,
senta-te comodamente,
sobre o teu próprio traseiro.


R. NASCIMENTO 2004

sábado, janeiro 20, 2007

A VELHA ÁRVORE ABANOU DE NOVO UM POUCO...


(PRIMA BELINHA, NELINHA E LUÍS F. SE POR ACASO VIREM ISTO NÃO SE ASSUSTEM, AGORA ESTÁ TUDO SOB CONTROLE. BJS.)
5ª FEIRA PASSADA MEU PAI FICOU ALGO ESTRANHO. ALGUM DESEQUILÍBRIO DE QUE PADECE DESDE UMA GRANDE CIRURGIA EM 2001, E QUE VINHA A ACENTUAR-SE, AGRAVOU NESSE DIA. PARA MAIS, A VOZ ESTAVA PASTOSA, ESTRANHA A FALA. E A TENSÃO BASTANTE ALTA. PERCEBI QUE PODIA TER TIDO UM LIGEIRO AVC. MAS MUITO LÚCIDO E MEXIA-SE BEM, TIRANDO A FRAQUEZA DAS PERNAS.
JANTÁMOS E ALA PARA O SAMS PELAS 8 DA NOITE.

CHEGADOS LÁ.

TENSÃO ALTA. TENHO CÁ UNS COMPRIMIDOS MAS ERA PARA DAR SÓ EM SOS. MAS COM AQUILO DA FALA ESQUISITA PERCEBI QUE NÃO ERA SÓ ISSO. AGORA ATÉ NOVAS ORDENS DOU 2 POR DIA, APESAR DE NADA LHE TEREM RECEITADO NO SAMS.

TAC À CABEÇA - COMPATÍVEL COM A IDADE. UMAS COISAS ISQUÉMICAS ANTIGAS, NADA DE LESÃO RECENTE.

VOLTÁMOS PARA CASA ANTES DA 1 DA MADRUGADA.

FELIZMENTE - EU CHEGUEI A PENSAR QUE VOLTAVA SOZINHA... E JÁ NÃO HÁ MAIS NINGUÉM À MINHA ESPERA.

DIA SEGUINTE LIGO PARA O CARDIOLOGISTA DELE QUE POR ACASO JOGA XADREZ PELA NET. FOI DE FIM DE SEMANA. TENTAM CONTACTÁ-LO MAS TEM O TM DESLIGADO.

BEM. COMO ESTÁ TUDO CALMO, FICAM DE CONTACTAR O DR. NA 2ª FEIRA. O MÊS PASSADO FOMOS LÁ E ELE DISSE QUE O MEU PAI NÃO PRECISA DE TOMAR NADA, SÓ EM SOS O ADALAT.

DE MOMENTO ESTÁ BEM. SENTE É O TAL DESEQUILÍBRIO, ASSIM NÃO VAI SOZINHO À RUA. É A PRIMEIRA VEZ EM 92 ANOS E MEIO. MAS ACHO QUE AINDA HÁ-DE IR.

NA 3ª VAMOS AO MÉDICO ASSISTENTE DELE.

ELE DIZ QUE QUANDO VIER A PRIMAVERA HÁ-DE SENTIR MAIS FORÇAS.

ESPERO QUE A VELHA ÁRVORE AINDA SE RECOMPONHA E AINDA ME DÊ SOMBRA DURANTE MAIS UNS ANOS PELO MENOS. LÁ QUE É DE BOA CEPA ISSO É.
P.S. - D.ª LUÍSA, NÃO SEI SE TEM VINDO AQUI. O MEU PAI GOSTOU MUITO DO SEU POEMA E DEDICOU-LHE TAMBÉM UM COM CARINHO, QUE ESTÁ NO YOUTUBE E NUM POST ABAIXO. GOSTÁVAMOS DE SABER SE GOSTOU. NA IDADE DO MEU PAI E TENDO EM CONTA QUE ESTA SEMANA NÃO PASSOU BEM, SE HÁ RESPOSTAS A DAR CONVÉM QUE SEJAM RÁPIDAS. ELE PERGUNTOU DURANTE VÁRIOS DIAS SE TINHA HAVIDO RESPOSTA. ELE NÃO LIA UM POEMA EM VOZ ALTA HÁ MUITO TEMPO E MUITO MENOS FILMADO. SÓ ESPERO QUE NÃO SEJA O ÚLTIMO.
UM BEIJINHO NOSSO PARA SI.


domingo, dezembro 31, 2006

BOM 2007 PARA TODOS!

VOTOS DE UM BOM ANO 2007 PARA TODOS COM SAÚDE, PAZ E ALEGRIA DE VIVER!

(Na foto estou à porta da casa onde nasci, em Setúbal, Travessa do Postigo do Cais, 11, há 92 anos e meio.)

quarta-feira, dezembro 27, 2006

sexta-feira, dezembro 22, 2006

DESEJO FELIZ NATAL... POR MÚSICA !


IMPROVISO


TOMO Y OBLIGO (TANGO)

* * *



MEUS AMIGOS COMO PODEM VER, JÁ ESTOU RECUPERADO DO SUSTO QUE APANHEI ONTEM...

ESPERO PODER CONTINUAR, POR INTERMÉDIO DA MINHA FILHA, A PÔR DE VEZ EM QUANDO AQUI ALGUMAS DIABRURAS DA MINHA TENRA 4ª IDADE...

DESCULPEM A DESARRUMAÇÃO DA CASA... MAS É A PAPELADA DE 92 ANOS... AINDA NÃO FAÇO TUDO PELA INTERNET!!!

quarta-feira, novembro 15, 2006

Cobras e Lagartos


(Balada concorrente ao Festival da Canção)


I

Nossa função principal
cá neste mundo é "ratar",
envenenar, dizer mal,
de tudo, tudo em geral,
p'rás más línguas contentar.

II

Se andam intrigas no ar
e os “bons amigos” fartos
de na “casaca” cortar,
vem o dito popular,
diz-se: “Cobras e Lagartos”!

Refrão

Por isso,
é que somos importantes,
tanto hoje
como dantes.

Não há
quem não aprecie as obras
dos lagartos
mais das cobras.

III

Da má-língua mais bravia,
a seita em tudo se mete;
do maldizer, à porfia,
vai um a tesoura afia
e outro amola o canivete.

IV

E da “casaca” desfeita,
quando já não há nem sobras,
zangam-se os membros da seita,
um… co´os lagartos se ajeita,
o outro prefere as cobras.


Refrão

Por isso,
é que somos importantes,
tanto hoje
como dantes.

Não há
quem não aprecie as obras
dos lagartos
mais das cobras.

R.N. - Primavera 96