O Xadrez e a Música
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sexta-feira, junho 01, 2007

Dia da Criança

Rui Nascimento aos 13 meses (1915)



Mamã, vem cá à janela,
ver uma fita amarela
ali no céu, tão bonita!
Agora é verde, também,
encarnada, azul; ó Mãe,
o que é aquela fita?

Aquilo… a Mamã já conta:
havia uma velha tonta,
uma bruxa bem perigosa.
Co´ as mais belas cores pintou
um grande arco e disfarçou
sua gruta tenebrosa.

Com aparências tão boas,
enganou muitas pessoas
que lá se foram perder.
Das coisas, vê bem, meu filho,
a quem se fia no brilho,
tudo pode acontecer!

Está bem, Mãezinha, eu entendo…
e agora compreendo:
A Titi velha também
pinta as unhas de encarnado
e traz o cabelo pintado
para ver se engana alguém!


Rui C. Nascimento


(Jogos Florais da Primavera, Setúbal – 1941)

Premiada com o 1º Prémio - «Malmequer de Prata»


Sunrise, Sunset

quarta-feira, maio 30, 2007

JOGOS FLORAIS DA PRIMAVERA
SETÚBAL - ABRIL DE 1941

Depois de, durante várias semanas, ter sido aqui publicada a peça de Teatro de meu Pai, "O Filtro d´Amôr", perguntar-se-ão os poucos que tenham tido o tempo e a paciência de a ler, o que sucedeu à dita peça - terá sido representada?

Infelizmente, não chegou a sê-lo. Chegou, sim, a ser lida em voz alta pelo Autor - meu Pai - no Teatro Luísa Todi, perante, entre outros, o Director do Teatro e o Maestro e Pianista Idalino Cabecinha (na família Cabecinha, na altura, existiam cinco irmãos, dos quais 3 eram músicos - Idalino era Compositor, Pianista e Maestro do Orfeão de Estremoz; Idalécio era Violinista, tendo tirado o Curso Superior de Violino e fazia parte de um terceto que tocava num navio que fazia as carreiras de África; Idaleciano era também Violinista e Fotógrafo; o pai destes, José Pinto Cabecinha era Pianista, Compositor e Fotógrafo).

Voltando à peça "Filtro d´Amôr", meu Pai, então, concorreu com ela, na modalidade "Teatro" aos Jogos Florais da Primavera de Setúbal em 1941. Também concorreu nas modalidades de Soneto - com o Soneto "Redenção", Poesia a Mote - "Tanta dôr tanto tormento, Na saüdade que me mata", Poesia Infantil e Quadras Popular e Humorística. Foi o concorrente mais premiado tendo alcançado três 1ºs prémios em Teatro, Poesia a Mote e Poesia Infantil e três Menções Honrosas em Soneto, Quadra Popular e Quadra Humorística.

A seguir podem ver a página (teve de ser "cortada" ao meio) de "O Setubalense" de 21 de Abril de 1941, onde se fez a cobertura muito pormenorizada da Sessão Solene, realizada na noite de 19 de Abril anterior, um Sábado, na sede da Sociedade Musical Capricho Setubalense.

Sublinhei as participações de meu Pai assim como uma ou outra peripécia mais relevante, como "No fim, dansou-se."...


Página 2 de "O Setubalense" de 21 de Abril de 1941

Foto da mesa do Júri e dos premiados, podendo reconhecer-se

(alguns dos nomes foram deduzidos da notícia do jornal e lembremo-nos que se estava em pleno Estado Novo... dos outros premiados, além do seu grande Amigo, já falecido, Alberto Fialho Jr., meu Pai não se recorda quem era quem, mas os seus nomes constam da notícia d´ "O Setubalense").


1 - Cap. Correia Gonçalves, subdelegado da M.P. e Comandante da G.N.R..

2 - Representante do Comandante da L.P..

3 - Eng.º Carlos Manitto Torres, grande vulto Setubalense.

4 - Dr. Pires de Lima, Presidente da Câmara Municipal de Setúbal.

5 - Eng.º Armando Medeiros, Prof. de Matemática e Desenho de meu Pai no antigo Liceu Bocage.

...

12 - Dr. Alberto Fialho Jr., que depois se formou em Letras, grande amigo de meu Pai e grande Setubalense.

...

14 - Rui Nascimento, meu Pai.
...


Caso algum Setubalense (ou não!) se recorde destes Jogos Florais ou reconhecer mais alguém na foto, agradecemos que deixe um comentário!

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

AS RUAS DA MINHA VIDA
(Dedicado ao Dia de S. Valentim)


As Ruas da Minha Vida

- FADO -

I

Foi na Travessa da Espera
que te esperei inutilmente;
senti que o desejo mente,
chamei à esperança, quimera.
A incerteza, essa fera,
hora após hora enfrentei,
se alguma vez desesperei,
foi na Travessa da Espera.

II

Mudei p'rà Rua da Esperança,
fiado numa crendice,
porque alguém um dia disse:
quem espera sempre alcança.
Acreditei na mudança,
sonhei uma nova vida
e em hora decidida,
mudei p'rà Rua da Esperança!

III

Velha Praça da Alegria,
disseste que o Amor voltava.
Quando entrei, acreditava,
quando saí... já não cria.
Foste apenas fantasia,
agora perdeste a fama,
quem te amava já não ama,
velha Praça da Alegria.

IV

No Beco do Fala-Só,
há um clube recatado,
num Carnaval mascarado,
lá fomos, de “Dominó”.
Não quero que só por dó,
penses um dia voltar,
antes quero a sós falar,
no Beco do Fala-Só.

V

Triste Rua da Saudade
transformaste esta amargura
numa vida de loucura,
andei louco p´la cidade.
A tua deslealdade
bradava à Terra e aos Céus,
e eu por fim te disse adeus,
triste Rua da Saudade.

VI

Moro na Rua da Emenda
mas tu nunca te emendaste,
dessa vida que levaste,
numa amarga, infeliz senda.
não é que eu me arrependa,
de ter gostado de ti;
mas emendei-me e esqueci:
moro na Rua da Emenda!


Letra e Música de Rui Nascimento
25-06-1997

Este poema ganhou o 2º Prémio dos Jogos Florais do SAMS de 2006.



"QUANDO ALGUÉM SE DISPÕE A ESCREVER, DEITA SEMPRE COISAS BONITAS CÁ PARA FORA"

(Frase de um dos membros do Júri)