FILTRO D´AMÔR (PARTE VI)
Isabel ouvindo a Valsa da Sedução
Anúncio da loja A Rabeca Mágica,
representada pelo Hilário Hilariante
* * * * * *
CENA XII
Manivela e Hilário
Manivela e Hilário
Manivela (entrando com Hilário pelo F.E.) - Esta só pelo diabo; tudo tão bem combinado e falha. Se o meu patrão tem deixado a chave, estávamos bem arranjados (dirige-se à gaveta onde tinha guardado o segundo frasco).
Hilário - E esse remédio dará resultado?
Manivela - Ao papagaio deu, mas olhe, eu já nem sei…
Hilário - Não sabe?
Manivela (enquanto vai abrindo a gaveta) - Sei! Dá resultado, com certeza… (procurando o frasco sem o encontrar) - Afinal não sei...
Hilário (furioso) - Sabe ou não sabe, com mil diabos?!
Manivela - Não sei mas é onde está o maldito frasco. Eu tinha-o guardado aqui.
Hilário (correndo a ver) – O quê? Não sabe do remédio? (remexem a gaveta).
Manivela - Nada, evaporou-se! Frasco, líquido, tudo desapareceu.
Hilário (pondo as mãos na cabeça) - Desapareceu o líquido e eu sou um homem liquidado. Maldita a hora em que entrei nesta casa, o Santuário da Música, como dizia o Procópio Profundo. Profundo, Profundo, p´ró fundo do Inferno é que ele devia ir. E você, seu Manivela, que me meteu neste sarilho, agora o que é que resolve?
Manivela - Eu é que meti? Você é que é o culpado. Para que é que em vez de dar aquilo a beber ao Carlos, deu à Lúcia?
Hilário (desalentado) - Nem sei como foi; uma confusão de copos. E a Lúcia quando se viu sem voz… o que vale é que quase não se ouvia. Mas deitava cada olho…
Manivela - E o Júlio quando souber, nem me quero lembrar.
Hilário – E logo desapareceu esse maldito remédio que você disse ter cá na loja.
Manivela - Tinha, tinha, mas então… tenho estado a pensar que foi o Júlio que o fez desaparecer.
Hilário – E se o Basalicão fizesse uma pinga num instante?
Manivela – Qual quê! Aquilo só a filtrar leva quase um dia.
Hilário (vendo as horas) - Bonito: Já não falta muito para ser a vez da Lúcia. Tem que se ir dizer que o soprano emudeceu. Vamos ter com o Júlio, pode ser que ele nos dê o frasco salvador.
Manivela - Sim, ele é que ficou sozinho cá na loja. Já tinham saído o Patrão e a Menina... espere... uma ideia.
Hilário - O quê? Mais ideias? O que nós precisamos é do remédio.
Manivela - Pois é o remédio a filha do Patrão!
Hilário – É farmacêutica?
Manivela - Qual farmacêutica! O que vai é cantar a parte da Lúcia. (pondo um dedo na testa) - Então saiu ou não saiu uma boa ideia?!
Hilário - Óptimo. E ela quererá ir substituir a outra depois das desfeitas que lhe fizeram?
Manivela (desalentado) - É verdade! Não me tinha lembrado disso.
Hilário - Mau! Mau!!!
Manivela (resoluto) - Vamos ter com a Isabelinha. Ela não é de reservas. Falamos-lhe ao coração. Se conseguirmos que cante estamos salvos!
Hilário - E o Procópio deixará? Se consentir, faço as pazes com ele.
Manivela - O meu patrão?! Ora, em se tratando de música séria...
Hilário - Oxalá. Mas eu juro que em questões de música séria, nunca mais me meto, nem mesmo a brincar. (Saem pelo F. E.)
(Mutação às escuras)
Hilário - E esse remédio dará resultado?
Manivela - Ao papagaio deu, mas olhe, eu já nem sei…
Hilário - Não sabe?
Manivela (enquanto vai abrindo a gaveta) - Sei! Dá resultado, com certeza… (procurando o frasco sem o encontrar) - Afinal não sei...
Hilário (furioso) - Sabe ou não sabe, com mil diabos?!
Manivela - Não sei mas é onde está o maldito frasco. Eu tinha-o guardado aqui.
Hilário (correndo a ver) – O quê? Não sabe do remédio? (remexem a gaveta).
Manivela - Nada, evaporou-se! Frasco, líquido, tudo desapareceu.
Hilário (pondo as mãos na cabeça) - Desapareceu o líquido e eu sou um homem liquidado. Maldita a hora em que entrei nesta casa, o Santuário da Música, como dizia o Procópio Profundo. Profundo, Profundo, p´ró fundo do Inferno é que ele devia ir. E você, seu Manivela, que me meteu neste sarilho, agora o que é que resolve?
Manivela - Eu é que meti? Você é que é o culpado. Para que é que em vez de dar aquilo a beber ao Carlos, deu à Lúcia?
Hilário (desalentado) - Nem sei como foi; uma confusão de copos. E a Lúcia quando se viu sem voz… o que vale é que quase não se ouvia. Mas deitava cada olho…
Manivela - E o Júlio quando souber, nem me quero lembrar.
Hilário – E logo desapareceu esse maldito remédio que você disse ter cá na loja.
Manivela - Tinha, tinha, mas então… tenho estado a pensar que foi o Júlio que o fez desaparecer.
Hilário – E se o Basalicão fizesse uma pinga num instante?
Manivela – Qual quê! Aquilo só a filtrar leva quase um dia.
Hilário (vendo as horas) - Bonito: Já não falta muito para ser a vez da Lúcia. Tem que se ir dizer que o soprano emudeceu. Vamos ter com o Júlio, pode ser que ele nos dê o frasco salvador.
Manivela - Sim, ele é que ficou sozinho cá na loja. Já tinham saído o Patrão e a Menina... espere... uma ideia.
Hilário - O quê? Mais ideias? O que nós precisamos é do remédio.
Manivela - Pois é o remédio a filha do Patrão!
Hilário – É farmacêutica?
Manivela - Qual farmacêutica! O que vai é cantar a parte da Lúcia. (pondo um dedo na testa) - Então saiu ou não saiu uma boa ideia?!
Hilário - Óptimo. E ela quererá ir substituir a outra depois das desfeitas que lhe fizeram?
Manivela (desalentado) - É verdade! Não me tinha lembrado disso.
Hilário - Mau! Mau!!!
Manivela (resoluto) - Vamos ter com a Isabelinha. Ela não é de reservas. Falamos-lhe ao coração. Se conseguirmos que cante estamos salvos!
Hilário - E o Procópio deixará? Se consentir, faço as pazes com ele.
Manivela - O meu patrão?! Ora, em se tratando de música séria...
Hilário - Oxalá. Mas eu juro que em questões de música séria, nunca mais me meto, nem mesmo a brincar. (Saem pelo F. E.)
(Mutação às escuras)

