Tendo-me sido completamente impossível pelo Santo António e apesar de já estarmos no São João, publico hoje esta Obra de meu Pai - uma Marcha concorrente à Grande Marcha de Lisboa de 1967, e que foi preterida por o Autor não ser da “cor” dos dirigentes da época…









LISBOA EM FESTA
Obra concorrente
à Grande Marcha de Lisboa 1967
Pseudónimo “Hilário”
Vem ver a Marcha toda a Cidade
e os bairros passam cantando à porfia.
Grita “presente!”, ó mocidade
e vem cantar e vem bailar, vem p´rà folia!
Enlaça flores,
fala d´Amores,
que nesta Marcha traz Lisboa o coração…
A subir p´rà Lua,
se um balão fluctua,
reza com ternura esta oração:
Ó meu balão voa, voa,
sobe à toa,
e às estrelas multicores,
Luz divina a arder nos Céus,
leva um beijo de Lisboa
e pede p´ra seus amores
a benção da Mãe de Deus!
Ergam os arcos, soltem balões,
e siga a Marcha, que a noite está bela;
olhem no alto: cintilações…
será acaso o meu balão, será uma estrela ?!
E os namorados,
muito abraçados,
ai, trocam juras e suspiros d´emoção…
numa curta prece,
Lisboa adormece,
e ao longe ainda há ecos da canção:
Ó meu balão voa, voa,
sobe à toa,
e às estrelas multicores,
Luz divina a arder nos Céus,
leva um beijo de Lisboa
e pede p´ra seus amores
a benção da Mãe de Deus!
***
Letra: Rui Nascimento
Música:
Melodia: Rui Nascimento;
Uma alta patente militar, cujo nome não recordo, era o Presidente da C.M.L. e do Júri do Concurso.
Provavelmente, esta Marcha teria tido probabilidades de ter ganho o Concurso das Marchas nesse ano, pois o sobrescrito com a identidade do vencedor só podia ser aberto depois de atribuído o Prémio. Ora quando tudo me foi devolvido, o sobrescrito - com o pseudónimo e a minha identificação - estava aberto!
Torna-se evidente, que foi aberto porque a Marcha despertou algum interesse… mas foi preterida, pois quem abriu o sobrescrito viu que eu não era da cor do regime da época. Invoquei o Regulamento da Marcha de Lisboa, que apenas permitia a abertura do sobrescrito da obra vencedora e alguém me avisou “Tem cuidado, senão ainda te põem a PIDE à perna…” * R.N.