O Xadrez e a Música

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Uma entrevista há 18 anos...

Um registo jornalístico do percurso de um "homem que nos dá cabo da cabeça"...
Entrevista dada por Mestre Rui Nascimento ao Correio da Manhã, jornal em que foi responsável durante 10 anos pela secção de "Problemas de Xadrez", desde o nº 1 do mesmo jornal.
Esta entrevista foi efectuada no dia em que cessou a sua colaboração xadrezística no CM, em 31 de Dezembro de 1990, faz hoje 18 anos.




"O Problema é a Poesia do Xadrez."


sábado, setembro 27, 2008

PARA QUÊ?
(Poema de 1935)

O mais antigo poema no arquivo poético de meu Pai, escrito aos 20 anos.



Para quê importar-se
com o que vai pelo mundo?
Para quê?
A Vida é um abismo maior que o mar profundo,
mas ninguém vê.
No seu limite extremo, a igualdade – a Morte,
desfazendo o egoísmo, a desgraça e a sorte.


Rui Nascimento
Setúbal, 2-3-1935


sábado, agosto 16, 2008

Assim se toca aos 94 anos e 1 mês...

Meu Pai dando umas arcadas no violino, alguns dias antes da queda que sofreu na rua, em fins de Julho, após um embate de um carro em marcha atrás, o qual abandonou o idoso no meio do chão, tendo sido socorrido por muitos transeuntes, a quem agradeço. Teve fractura de um osso da bacia, está a recuperar lentamente, e até já voltou a pegar no violino, apesar de ainda coxo da perna esquerda!

Na imagem vê-se a amiga Teresa David,
que nesta tarde de meados de Julho nos tinha visitado.

sábado, junho 14, 2008

94º ANIVERSÁRIO DO MESTRE

No dia 14 de Junho, em que completa 94 anos, meu Pai lê o seu poema "Mostraste as Ligas ao Santo", diz de cór "as Serras de Portugal" e "as Estações da Linha do Norte". Estava um pouco esquecido dos "Imperadores de Roma", pelo que tivemos de "adiar" esses para outras calendas!


Quando era "ainda mais jovem" sabia de cór toda "A Ceia dos Cardeais" e os 256 Concelhos de Portugal em 1940, data em que entrou para os CTT, onde trabalhou durante 3 anos, antes de se tornar bancário.


Apesar de a Poesia ser apenas o seu 3º hobby, sendo o 1º o Problema de Xadrez, o 2º o Violino e o 4º a Matemática, creio ter ele feito ao longo da vida mais de 100 poemas, alguns já publicados neste blogue.


Actualmente recita ainda inúmeros poemas de cór, seus ou de outros Autores, canta velhas cançonetas, tangos, etc... e claro, continua a pegar no seu querido violino!
Vamos então dar início ao recital...

"Mostraste as Ligas ao Santo!"

(ver Post anterior)


As Serras de Portugal - o ensaio... saiu Machico em vez de Monchique...


De novo as Serras... agora, sim!!!


As Estações da antiga Linha do Norte


FINALMENTE, OS PARABÉNS!


Para terminar, os "Cunhados Afinados"!


Muitos Parabéns, Pai e que ainda nos acompanhes assim por muitos anos!

quinta-feira, junho 12, 2008

Mostraste as Ligas ao Santo!




*** MOTE ***

Mostraste as ligas ao Santo
porque querias casar;
e o brejeiro espreitou tanto
que até caiu do altar!

*** GLOSAS ***

O Santinho da capela
tentando, com teu encanto,
puseste as pernas à vela
e vi que, sem mais aquela,
mostraste as ligas ao Santo.

Outrora do Amor rias,
hoje andas a suspirar
com olheiras doentias;
e um milagre já pedias,
porque querias casar.

Mas de inveja concentrada
eis quase estoiro em meu canto,
porque da “vista” almejada
não lobriguei quase nada
e o brejeiro espreitou tanto.

Porém o Santo infeliz
teve castigo exemplar,
o maroto tanto quis,
tanto estendeu o nariz,
que até caiu do altar!

Rui Nascimento
Abril 1957

NESTE OUTRO POST, TAMBÉM PODEM CONHECER UMA MARCHA POPULAR COMPOSTA POR MEU PAI EM 1967



Lá Vai Lisboa - Teresa Salgueiro & Lusitânia Ensemble

sexta-feira, maio 16, 2008

POR BECOS, RUAS E VIELAS...



( Imagens dos álbuns de recortes do meu pai )


Rua de Lisboa

Teresa Salgueiro e Lusitânia Ensemble


quinta-feira, março 27, 2008

O FILTRO D´AMÔR



Caros Amigos e Amigas

Hoje, Dia Mundial do Teatro, ponho à disposição na Internet, mais como curiosidade do que como obra teatral, a comédia musicada "Filtro d´Amôr", escrita por meu Pai em 1941 e que já foi publicada em fascículos n´ "O Quintal do meu Pai", o ano passado.
Esta peça, apesar de ter ganho o 1º prémio de Teatro nos Jogos Florais da Primavera de 1941, em Setúbal, nunca foi representada, tendo sido apenas lida em voz alta pelo Autor no antigo Teatro Luísa Todi (hoje Forum), perante o empresário do mesmo à época. Este não levou a peça ao palco, por receio que não atraísse muito público e também por ser musicada, o que implicava alguns elementos do elenco terem de cantar e/ou tocar…

Dado o muito mau estado do original, dactilografado e do qual podem ver as cinco primeiras páginas, foi-me necessário reescrevê-lo de raiz no Word. Também utilizei a Ortografia actual, nomeadamente retirando bastantes acentos circunflexos, pois nesse tempo até AMÔR o levava... bons tempos!!! Já não há AMÔR como o de antigamente... e muito menos filtros que o estimulem !... Então, se quiserem dar uma vista de olhos, cliquem em


O FILTRO D´AMÔR

Infelizmente no PDF perderam-se alguns caracteres e formatos de letra usados no DOC.




"Joujou e Balangandans"
Lamartine Babo, 1939
(Canção Brasileira contemporânea da peça)



ENTÃO, BOA NOITE DE TEATRO!



E caso detectem alguma gralha, agradeço que deixem nota nos comentários.

sábado, junho 23, 2007

LISBOA EM FESTA...
HÁ 40 ANOS

Amigos:

Tendo-me sido completamente impossível pelo Santo António e apesar de já estarmos no São João, publico hoje esta Obra de meu Pai - uma Marcha concorrente à Grande Marcha de Lisboa de 1967, e que foi preterida por o Autor não ser da “cor” dos dirigentes da época…











LISBOA EM FESTA

Obra concorrente
à Grande Marcha de Lisboa 1967

Pseudónimo “Hilário”


Vem ver a Marcha toda a Cidade
e os bairros passam cantando à porfia.
Grita “presente!”, ó mocidade
e vem cantar e vem bailar, vem p´rà folia!
Enlaça flores,
fala d´Amores,
que nesta Marcha traz Lisboa o coração…
A subir p´rà Lua,
se um balão fluctua,
reza com ternura esta oração:

Ó meu balão voa, voa,
sobe à toa,
e às estrelas multicores,
Luz divina a arder nos Céus,
leva um beijo de Lisboa
e pede p´ra seus amores
a benção da Mãe de Deus!

Ergam os arcos, soltem balões,
e siga a Marcha, que a noite está bela;
olhem no alto: cintilações…
será acaso o meu balão, será uma estrela ?!
E os namorados,
muito abraçados,
ai, trocam juras e suspiros d´emoção…
numa curta prece,
Lisboa adormece,
e ao longe ainda há ecos da canção:

Ó meu balão voa, voa,
sobe à toa,
e às estrelas multicores,
Luz divina a arder nos Céus,
leva um beijo de Lisboa
e pede p´ra seus amores
a benção da Mãe de Deus!

***

Letra: Rui Nascimento

Música:
Melodia: Rui Nascimento;
Harmonização: Maestro Idalino Cabecinha

O número 82 que se vê, a vermelho, na partitura, ao alto à direita, foi atribuído pelo Júri que recebia as obras concorrentes, o que dá ideia do elevado número das mesmas.
Uma alta patente militar, cujo nome não recordo, era o Presidente da C.M.L. e do Júri do Concurso.
Provavelmente, esta Marcha teria tido probabilidades de ter ganho o Concurso das Marchas nesse ano, pois o sobrescrito com a identidade do vencedor só podia ser aberto depois de atribuído o Prémio. Ora quando tudo me foi devolvido, o sobrescrito - com o pseudónimo e a minha identificação - estava aberto!
Torna-se evidente, que foi aberto porque a Marcha despertou algum interesse… mas foi preterida, pois quem abriu o sobrescrito viu que eu não era da cor do regime da época. Invoquei o Regulamento da Marcha de Lisboa, que apenas permitia a abertura do sobrescrito da obra vencedora e alguém me avisou “Tem cuidado, senão ainda te põem a PIDE à perna…” * R.N.

quinta-feira, junho 14, 2007

Lanche Musical do 93º Aniversário do Mestre










Instantâneos de um pequeno lanche... apenas o Mestre, a Tia Ju (irmã de minha Mãe) e eu. No fim, depois de soprada a vela com energia de 39... sai do violino uma velha canção francesa dos anos 40, "Un Jour, je te Dirai" ...




93 ANOS de RUI NASCIMENTO

A meu Pai, que hoje completa 93 anos, dediquei, aquando do seu 90º Aniversário, estas rimas, já publicadas no meu Jardim, o ano passado. Por falta de tempo e também para quem não leu o ano passado, aqui são republicadas hoje no Quintal.



Neste dia memorável,
perante nobre assembleia,
ocorreu à filha a ideia
de rimar ao pai amável,



que ao Xadrez tem dedicado,
principalmente, a existência;
mas também, com excelência,
noutras Artes é versado.



O Problema de Xadrez,
p´ra ele não tem segredo.
Compõe, sem dúvida ou medo,
mates em dois e em três.


Problemas figurativos,
tecendo belas imagens,
dedicou a personagens
ilustres, mortos ou vivos.



A concursos variados
apresenta seu trabalho
e, sempre sem enxovalho,
fica bem classificado.

Mas se a Musa do Xadrez
foi a que mais o inspirou,
as outras, que cultivou,
não deixou em pequenez.

De Erato, melodiosa,
aprendeu, sem desatino,
a arrancar do violino,
tango ou valsa primorosa...


A mesma Musa formosa,
o inspirou na Poesia:
num repente e com mestria,
verseja com mote e glosa.


Dos livros é grande amigo,
quer versem Arte ou Ciência,
e na arte da eloquência
não passa despercebido.


Grande leitor de jornais,
das Letras grande amador,
chegou a dizer, de cór,
“A Ceia dos Cardeais”!...


Às mais exactas Ciências,
com afinco se aplicou,
e também não desprezou,
dos astros, as refulgências!


De Arquimedes às Ideias,
ou de Einstein às Teorias,
dedicou noites e dias,
desenredando essas teias...



Do Tempo leva vitória,
os cometas observou...
E, de Vénus, contemplou
a apolínea trajectória! (*)



Os amigos dedicados
nunca da memória tira...
por Damião de Odemira,(**)
os traz, sempre, convocados!



Já longo é o seu trajecto,
mas não se dá por vencido...
amanhã, ao sol nascido,
já ensaia outro projecto!


Da Razão, Justiça e Bem
Paladino se tornou,
Esposo amável se mostrou,
Pai muito amigo também;
histórias conta mil e cem
que a todo o que escuta encantam...
Noventa e três “já cá cantam”...
Cá estaremos para os Cem!!! (***)

X C I I I em M M V I I

* * *

(*) - O trânsito de Vénus.
(**) - A Tertúlia "Damião de Odemira", de que foi fundador.
(***) - Pelo menos!




Ao Violino, seu 2º Hobby:
- Señor Comisario (tango)
- Samaritana (fado) - Adiós, Pampa Mía (tango)

sexta-feira, junho 01, 2007

Dia da Criança

Rui Nascimento aos 13 meses (1915)



Mamã, vem cá à janela,
ver uma fita amarela
ali no céu, tão bonita!
Agora é verde, também,
encarnada, azul; ó Mãe,
o que é aquela fita?

Aquilo… a Mamã já conta:
havia uma velha tonta,
uma bruxa bem perigosa.
Co´ as mais belas cores pintou
um grande arco e disfarçou
sua gruta tenebrosa.

Com aparências tão boas,
enganou muitas pessoas
que lá se foram perder.
Das coisas, vê bem, meu filho,
a quem se fia no brilho,
tudo pode acontecer!

Está bem, Mãezinha, eu entendo…
e agora compreendo:
A Titi velha também
pinta as unhas de encarnado
e traz o cabelo pintado
para ver se engana alguém!


Rui C. Nascimento


(Jogos Florais da Primavera, Setúbal – 1941)

Premiada com o 1º Prémio - «Malmequer de Prata»


Sunrise, Sunset

quarta-feira, maio 30, 2007

JOGOS FLORAIS DA PRIMAVERA
SETÚBAL - ABRIL DE 1941

Depois de, durante várias semanas, ter sido aqui publicada a peça de Teatro de meu Pai, "O Filtro d´Amôr", perguntar-se-ão os poucos que tenham tido o tempo e a paciência de a ler, o que sucedeu à dita peça - terá sido representada?

Infelizmente, não chegou a sê-lo. Chegou, sim, a ser lida em voz alta pelo Autor - meu Pai - no Teatro Luísa Todi, perante, entre outros, o Director do Teatro e o Maestro e Pianista Idalino Cabecinha (na família Cabecinha, na altura, existiam cinco irmãos, dos quais 3 eram músicos - Idalino era Compositor, Pianista e Maestro do Orfeão de Estremoz; Idalécio era Violinista, tendo tirado o Curso Superior de Violino e fazia parte de um terceto que tocava num navio que fazia as carreiras de África; Idaleciano era também Violinista e Fotógrafo; o pai destes, José Pinto Cabecinha era Pianista, Compositor e Fotógrafo).

Voltando à peça "Filtro d´Amôr", meu Pai, então, concorreu com ela, na modalidade "Teatro" aos Jogos Florais da Primavera de Setúbal em 1941. Também concorreu nas modalidades de Soneto - com o Soneto "Redenção", Poesia a Mote - "Tanta dôr tanto tormento, Na saüdade que me mata", Poesia Infantil e Quadras Popular e Humorística. Foi o concorrente mais premiado tendo alcançado três 1ºs prémios em Teatro, Poesia a Mote e Poesia Infantil e três Menções Honrosas em Soneto, Quadra Popular e Quadra Humorística.

A seguir podem ver a página (teve de ser "cortada" ao meio) de "O Setubalense" de 21 de Abril de 1941, onde se fez a cobertura muito pormenorizada da Sessão Solene, realizada na noite de 19 de Abril anterior, um Sábado, na sede da Sociedade Musical Capricho Setubalense.

Sublinhei as participações de meu Pai assim como uma ou outra peripécia mais relevante, como "No fim, dansou-se."...


Página 2 de "O Setubalense" de 21 de Abril de 1941

Foto da mesa do Júri e dos premiados, podendo reconhecer-se

(alguns dos nomes foram deduzidos da notícia do jornal e lembremo-nos que se estava em pleno Estado Novo... dos outros premiados, além do seu grande Amigo, já falecido, Alberto Fialho Jr., meu Pai não se recorda quem era quem, mas os seus nomes constam da notícia d´ "O Setubalense").


1 - Cap. Correia Gonçalves, subdelegado da M.P. e Comandante da G.N.R..

2 - Representante do Comandante da L.P..

3 - Eng.º Carlos Manitto Torres, grande vulto Setubalense.

4 - Dr. Pires de Lima, Presidente da Câmara Municipal de Setúbal.

5 - Eng.º Armando Medeiros, Prof. de Matemática e Desenho de meu Pai no antigo Liceu Bocage.

...

12 - Dr. Alberto Fialho Jr., que depois se formou em Letras, grande amigo de meu Pai e grande Setubalense.

...

14 - Rui Nascimento, meu Pai.
...


Caso algum Setubalense (ou não!) se recorde destes Jogos Florais ou reconhecer mais alguém na foto, agradecemos que deixe um comentário!

segunda-feira, maio 07, 2007

FILTRO D´AMÔR (FINAL)


O Final da Opereta no Teatro Folias Brejeiras vendo-se os dois felizes pares Carlos-Isabel e Júlio-Lúcia



2º QUADRO


A cena representa um palco visto dos bastidores para a ribalta que está iluminada ao fundo, deixando aperceber a plateia do hipotético teatro, onde se está representando o final da Opereta (++ ou Ópera, a escolher), com a indumentária e música próprias.


O Manivela numa das suas inúmeras tarefas...


CENA XIII

Carlos, Isabel, Júlio, Lúcia, Procópio, Hilário, Manivela, Basalicão e Figurantes

Carlos (após ter cantado com Isabel o final da Opereta) - Não sei o que mais admire, Isabel, se o seu bom coração acedendo a cantar, se a sua voz que me deixou maravilhado.
Isabel - O Sr. Carlos exagera…
Carlos – Não, digo a verdade. E depois de ter feito justiça às suas boas qualidades, sua voz admirável, ainda há outra verdade...
Isabel (interrompendo) - Olha a Lúcia e o Júlio... (Lúcia entrando com Júlio) - Parabéns, Carlos. (Voltando-se para Isabel) - Também a felicito e agradeço tudo quanto fez.
Isabel - Não tem de quê. Mas já está boa?
Lúcia - Olhe, foi o seu primo. Foi um remédio milagroso.
Procópio (entrando pela direita com Basalicão e abrindo alas) - Deixem passar a família!
Hilário (entrando pelo outro lado, com Manivela, com um ramo de flores em cada mão) - Deixem passar a publicidade! (Procópio e Hilário esbarram ao meio da cena).
Procópio (faz gestos ameaçadores).
Hilário – Oiça-me, Sr. Procópio (mete-lhe um ramo de flores em cada mão).
Procópio (gesticulando com as flores) – Então você ainda me aparece novamente?
Hilário – Prometo-lhe que amanhã lhe levo lá à loja um camião cheio de Música Séria, Música com M grande. E não me há-de esquecer a Marcha Nupcial do Lohengrin!
Procópio – A Marcha Nupcial para quê?
Hilário – Então não vê que deve fazer falta? (indica os pares Isabel-Carlos e Lúcia-Júlio).
Procópio – Mas, afinal…
Hilário (tira um ramo de flores a Procópio) – Com licença. (Vai oferecê-lo a Isabel) – Minha Senhora, ofereço-lhe o ramo presente pela suas felicidades futuras.
Manivela (tira outro ramo de flores a Procópio) – Com licença. (Vai oferecê-lo a Lúcia) – Minha Senhora, o ramo presente é indicativo da minha admiração e o futuro… perfeito… a si pertence. (Para Hilário e pondo um dedo na testa) – Então saiu ou não saiu uma frase bombástica?!
Basalicão (para Procópio) – Olhe, finalmente estamos todos em sua casa.
Procópio – Têm-me entrado em casa e não é pouco...
Basalicão – Todos em sua casa, quero eu dizer, todos em Boa Harmonia!
Procópio – Antes assim, mas oiça lá, você é que é o inventor do tal Gargantol?
Basalicão – Modéstia à parte, é uma fórmula minha...
Procópio – Pois deixe de ser boticário e meta-se a alcoviteiro que é para o que você tem jeito!
Basalicão – Com efeito, pelo que se vê, são casamentos aos pares. Está visto que de tanto filtrar a droga, acabei por manipular um Filtro d´Amôr!!!

(Para finalizar, pode seguir um coro com motivos sobre a Marcha Nupcial de Lohengrin)
CAI O PANO



Carlos e Isabel ensaiando com o Júlio Perfeito

terça-feira, maio 01, 2007

FILTRO D´AMÔR (PARTE VI)


Isabel ouvindo a Valsa da Sedução







Anúncio da loja A Rabeca Mágica,

representada pelo Hilário Hilariante

* * * * * *


CENA XII

Manivela e Hilário

Manivela (entrando com Hilário pelo F.E.) - Esta só pelo diabo; tudo tão bem combinado e falha. Se o meu patrão tem deixado a chave, estávamos bem arranjados (dirige-se à gaveta onde tinha guardado o segundo frasco).
Hilário - E esse remédio dará resultado?
Manivela - Ao papagaio deu, mas olhe, eu já nem sei…
Hilário - Não sabe?
Manivela (enquanto vai abrindo a gaveta) - Sei! Dá resultado, com certeza… (procurando o frasco sem o encontrar) - Afinal não sei...
Hilário (furioso) - Sabe ou não sabe, com mil diabos?!
Manivela - Não sei mas é onde está o maldito frasco. Eu tinha-o guardado aqui.
Hilário (correndo a ver) – O quê? Não sabe do remédio? (remexem a gaveta).
Manivela - Nada, evaporou-se! Frasco, líquido, tudo desapareceu.
Hilário (pondo as mãos na cabeça) - Desapareceu o líquido e eu sou um homem liquidado. Maldita a hora em que entrei nesta casa, o Santuário da Música, como dizia o Procópio Profundo. Profundo, Profundo, p´ró fundo do Inferno é que ele devia ir. E você, seu Manivela, que me meteu neste sarilho, agora o que é que resolve?
Manivela - Eu é que meti? Você é que é o culpado. Para que é que em vez de dar aquilo a beber ao Carlos, deu à Lúcia?
Hilário (desalentado) - Nem sei como foi; uma confusão de copos. E a Lúcia quando se viu sem voz… o que vale é que quase não se ouvia. Mas deitava cada olho…
Manivela - E o Júlio quando souber, nem me quero lembrar.
Hilário – E logo desapareceu esse maldito remédio que você disse ter cá na loja.
Manivela - Tinha, tinha, mas então… tenho estado a pensar que foi o Júlio que o fez desaparecer.
Hilário – E se o Basalicão fizesse uma pinga num instante?
Manivela – Qual quê! Aquilo só a filtrar leva quase um dia.
Hilário (vendo as horas) - Bonito: Já não falta muito para ser a vez da Lúcia. Tem que se ir dizer que o soprano emudeceu. Vamos ter com o Júlio, pode ser que ele nos dê o frasco salvador.
Manivela - Sim, ele é que ficou sozinho cá na loja. Já tinham saído o Patrão e a Menina... espere... uma ideia.
Hilário - O quê? Mais ideias? O que nós precisamos é do remédio.
Manivela - Pois é o remédio a filha do Patrão!
Hilário – É farmacêutica?
Manivela - Qual farmacêutica! O que vai é cantar a parte da Lúcia. (pondo um dedo na testa) - Então saiu ou não saiu uma boa ideia?!
Hilário - Óptimo. E ela quererá ir substituir a outra depois das desfeitas que lhe fizeram?
Manivela (desalentado) - É verdade! Não me tinha lembrado disso.
Hilário - Mau! Mau!!!
Manivela (resoluto) - Vamos ter com a Isabelinha. Ela não é de reservas. Falamos-lhe ao coração. Se conseguirmos que cante estamos salvos!
Hilário - E o Procópio deixará? Se consentir, faço as pazes com ele.
Manivela - O meu patrão?! Ora, em se tratando de música séria...
Hilário - Oxalá. Mas eu juro que em questões de música séria, nunca mais me meto, nem mesmo a brincar. (Saem pelo F. E.)

(Mutação às escuras)

segunda-feira, abril 23, 2007

FILTRO D´AMÔR (PARTE V)


Procópio Profundo, o dono da loja A Boa Harmonia







* * * * * *


CENA IX

Isabel, Procópio, Manivela, Carlos e Figurantes


Carlos (entrando da rua com Figurantes meninas) - Como está, amigo Procópio? (apertam as mãos)
Figurante – Adeus, Sr. Manipanço.
Manivela - Manivela, Manivela.
Figurante - Desculpe. É tão parecido!
Manivela (levando a mão ao rosto) - Sou parecido…
Figurante – Não é o Sr.. O nome é que é.
Manivela - Pois em vez de Manivela o melhor é chamar-me Artur, que é a minha graça.
Carlos – Então, adeus ó Ártur.
Manivela - O Sr. Carlos traz hoje grande comitiva. Vão já para o Teatro ?
Carlos - Esperamos a Lúcia. Marcou o encontro para aqui.
Manivela (para Figurantes, em aparte ) - É só para fazer pirraça à Isabelinha.
Carlos - O Sr. Procópio não deixa de ir ao sarau...
Procópio - Os organizadores não foram muito gentis...
Isabel (atalhando) - Vamos, vamos, já temos os convites...
Manivela - Se o meu patrão não ia... ouvir a tal música séria, como ele diz, a mim é que não me interessa. Para mim, só o Fado!
Figurante - Aaaah, é fadista ?
Manivela (entusiasmado) - Se sou. Estas duas sílabas dizem tudo. (destacando) Fa...do. O Fa...do (vendo que Procópio está a olhar, finge que canta notas musicais) …fá… dó… lá… dó... sol...
Procópio – Pára lá com o solfejo e vai arrumando a loja que são horas de fechar.
Lúcia (entrando como um furacão) – Oh, Carlos, isto é que são horas? Farta de esperar que me fosse buscar a casa…
Carlos - Então a Lúcia não disse para virmos ter aqui ?
Lúcia - Eu? Está a sonhar…
Carlos (arreliado) - Ora essa. Quando nos despedimos não disse: Estamos todos na Boa Harmonia?! Boa Harmonia é o nome da loja do Sr. Procópio.
Lúcia (rindo) – Ai, que engraçado. Queria eu dizer que entre nós reinava a melhor harmonia. Boa Harmonia, isto ? Então você quer que um contrabaixo de filarmónica (aponta Procópio), uma corneta de comboio (aponta Isabel) e um berimbau sem palheta (aponta Manivela), formem alguma harmonia que preste ? (sai entre grandes risadas com as Figurantes) – Ah Ah Ah!!!...
Carlos (contrariado) - Desculpe, Sr. Procópio... a Lúcia excede-se por vezes. Ainda acabo por me zangar a sério com ela.
Procópio (muito sério) - Os insultos não nos atingiram. Deixe, Carlos, não se preocupe. Todos sabemos a falta que faz o chá. E aquela, apesar de Lúcia Lima, não sabe o que isso é. (Vai para a porta com Carlos, que sai).


CENA X

Isabel, Procópio, Manivela e Júlio


Júlio (entrando) – Então, Tio, houve questão com a Lúcia? Ela não é má pequena de todo.
Procópio (olhando de soslaio) - Ah não?! Pois guarda-a para ti. (Para Manivela) - Bom. São horas de fechar. Toma lá a chave. Se amanhã eu descer um pouco mais tarde, abres a loja. Até amanhã. (Para Júlio) - Tu não vens?
Júlio - Vou já, Tio.
Isabel - Até logo, Júlio. Adeus Manivela, até amanhã (saem Procópio e Isabel pela D. B.)
Júlio - Com que então o papagaio é que nos salvou, ahn?! Não o tenho ouvido.
Manivela - Aquilo a dona, assim que o apanhou curado, tirou-o logo para dentro. Sempre a mezinha fez efeito.
Júlio - Assim fizesse logo.
Manivela - Pode estar descansado. (Vai à gaveta do balcão e tira um frasco) - Aqui esta o remediozinho. E isto é a cura (mostra o outro frasco).
Júlio - Vê lá, não leves a cura em vez da doença.
Manivela - Isso sim, não vê o rótulo? (mostra)
Júlio – Gargantol I. Fixe.
Manivela – E este, Gargantol II, é que é a cura. Vai aqui para a gaveta. (mete-o na gaveta e guarda o outro na algibeira).
Júlio - Podes ir-te embora e fecha a porta. Eu já lá vou ter, ao Teatro, conforme combinei com o Hilário. Custou a convencer, o negregado...
Manivela - Ainda fica?
Júlio – Fico.
Manivela - Então até logo e afine essa goela.


CENA XI

Júlio


Júlio (monologando) - Ora se os planos não falham, o Carlos vai ter uma rabiada (rindo) - Ah, Ah, Ah. Mas tem que rabiar em silêncio. Destas só lembram ao Manivela. Mas se não é o tal Hilariante, não sei como seria a coisa. Mas assim, com amigos dentro da fortaleza… (vai à gaveta e tira o frasco) - Cá está o tal contra-veneno. É verdade, e o outro não será veneno? Ora, o papagaio tomou-o e não morreu. Ora se o Pinocchio escapou, também não morre o Carlos. O diabo é se o remédio ainda é fraco para ele. Goelas de papagaio é uma coisa, mas o Carlos que tem goelas de pato? (pausa) - O Manivela deve ter-se informado com o Basalicão. A esta hora já o Carlos deve ter a jeropiga no bucho. E ainda assim o Manivela se não arrependa, vou esconder o cura-mudos. (Sai pela D.B., levando o frasco do Gargantol II).

sexta-feira, abril 13, 2007

FILTRO D´AMÔR (PARTE IV)


Um disco brasileiro para grafonola à venda aqui na loja A Boa Harmonia, especialmente dedicado ao leitor/a brasileiro/a deste Blog que aqui entrou procurando "discos para grafonola". Calcule... tem Internet e ainda usa grafonola! Caso não lhe agrade este, é só dizer, que o Manivela vai buscar mais ao armazém... :))






* * * * * *

CENA VI

Basalicão, Hilário, Manivela e Isabel


Basalicão – Olhem que já mo tinham dito mas só acreditei quando vi o programa. Vai a Lúcia cantar ao Sarau e não convidaram a Isabelinha!
Hilário - Eu ouvi lá falar numa D. Isabel. Houve pedidos pela outra.
Manivela - A menina Isabel é filha cá do meu patrão. Uma cara linda e uma voz maravilhosa.
Hilário – Ah, é filha ?! Se eu tivesse sabido antes... que é uma toleirona essa tal Lúcia...
Manivela - Lúcia Lima.
Hilário - Lúcia Lima toma-se em chá pare as dores de barriga, não é, amigo Basalicão?
Basalicão – É, é. Ela como tem medo que a Isabel a ofusque, moveu grandes influências para a pequena ficar de parte. Schiu! Ela aí vem...
Isabel (Entrando pela D.B.) - Adeus Sr. Basalicão.
Basalicão – Adeus, menina Isabel. Sempre linda, mas triste, de há uns tempos para cá.
Isabel - Isso é desconfiança sua (Reparando no Hilário) - este Senhor... (Olha interrogativa para Manivela)
Manivela - O Sr. Hilário Hilariante, que nos veio vender umas músicas. Olhe, vá ver à montra.
Hilário - São tudo novidades, minha Senhora.
Isabel – Ah, sim ? Vou ver. Dirige-se à montra donde tira as músicas e vai passando) Olha que engraçado: a Canção do Tiro-Liro. Tu sabes como se dança, Manivela ?
Manivela - Eu não, senhora.
Hilário – Ó amigo Manivela, parece mentira. É muito fácil. (Vai trauteando e acompanhando com os gestos próprios, para ensinar ao Manivela que olha com grande atenção) - Lá em cima está o Tiro-Liro-Liro, etc, etc….
Manivela - (Tentando reproduzir) Lá em cima está o Tiro, etc. (Faz os movimentos todos trocados. Hilário torna a explicar. Basalicão e Isabel já dançam por seu lado.)
Isabel - Então ainda não aprendeste, Manivela? É tão fácil.
Manivela – Já sei, já sei, quer ver? (Põe-se a cantar e a dançar o Tiro-Liro).




CENA VII

Os mesmos e Procópio, depois Júlio


Procópio (entra pela D. B. deixando a porta aberta e fica a olhar Manivela que está a dançar o Tiro-Liro).
Manivela (reparando no Patrão fica atarantado e começa fingindo que procura qualquer coisa, pela casa toda).
Procópio - Que diabo perdeste tu?
Manivela (gaguejando) - Era... era… uma semifusa...
Procópio – Hein?
Manivela (atarantadíssimo) – Uma… uma… clave….
Procópio - Perdeste uma clave ?!
Hilário (Vindo em auxílio de Manivela) - Eu explico: é uma clave de Sol que eu costumo usar na gravata, um alfinete. Pensei que o tinha perdido mas agora me lembro que não o pus...
Procópio – Ah, era coisa sua; desculpe! Manivela, vai ali fechar a porta. (Para Hilário, em aparte) O meu empregado é assim, um pouco maníaco. (Manivela fecha a porta à chave e volta). Então, segundo me parece, o Sr. também é músico!
Hilário (Apresentando-se) - Dos pés à cabeça. Hilário Hilariante, representante da Rabeca Mágica.
Procópio - Não tenho a honra, conheço é a Flauta Mágica, de Mozart.
Hilário - A nossa casa é de recente fundação, mas marcha já na vanguarda. Vim hoje para apresentar as nossas últimas edições e mal avistei a sua loja o coração deu-me um baque...
Procópio (Confundindo) - Bach, diz muito bem, meu caro Sr. podia mesmo ter dado um Schubert, Beethoven ou Wagner, pois que a minha casa é o santuário desses inimitáveis mestres. Ó quanta glória passada, nos tempos em que não era qualquer que se atrevia a pisar um palco, a cantar essas páginas onde perpassa o verdadeiro génio...
Hilário - Ah, o Sr. cantou ?
Procópio - Acaso ignora o meu nome ? (Com ênfase) - Eu sou Procópio Profundo !
Hilário - O célebre Baixo !
Procópio - Em carne e osso !
Isabel - Então Papá, não sejas imodesto.
Procópio - Qual imodesto. A verdade deve dizer-se. E as testemunhas estão perto. Ali o amigo Basalicão decerto ainda não esqueceu esses tempos.
Basalicão - Nem nunca esquecerei, amigo Procópio. Era na minha farmácia que você se ia aviar qundo andava mal da garganta. Por sinal, até me ficou a dever uma dúzia de pastilhas de mentol.
Procópio – O que lá vai, lá vai! Isso é para compensar as vezes que você me impingiu água do contador por qualquer remédio caro.
Basalicão – Ó amigo Procópio, eu...
Hilário – Então! Não se vão zangar agora...
Procópio - Sim o momento não é de discórdia, é de evocação. Que grandes noites de arte...
Hilário - (Indo buscar as músicas que Isabel deixou à vista) - Inda bem, meu caro amigo, que o Sr. é não só um entusiasta, mas um. verdadeiro artista. (Vai-lhe estendendo as músicas)
Procópio (sem ver logo as músicas) – Não, apenas um entusiasta, mas sincero, fervoroso! Para mim a música é tudo. Bem entendido, aquela música séria, honesta, bela, enfim, aquela Música que se escreve com M grande. (Hilário vai encolhendo as músicas que queria mostrar). Quanto a esses Tangos lamechas e Foxes selvagens que hoje para aí se usam, de bom grado mandaria guilhotinar quem os faz, fuzilar quem os executa e enforcar quem os vende. Felizmente em minha casa nunca entrou esse escalracho.
(Manivela e Hilário têm dado os mais vivos sinais de inquietação e este último tenta esconder os números de música que tem na mão, mas Procópio agarra-os)
Procópio (Agarrando as músicas, ainda na mão de Hilário) Ora vamos lá a ver o que me traz.
Hilário (Resistindo) - Não merece a pena, talvez... O Sr. não estará ocupado ?
Procópio - Não. Desculpe-me toda esta conversa antes de o atender. (Tira as músicas, vai vendo e dando mostras de grande furor .Valsas? Foxes, Tangos, pepineiras, maluquices ? (Crescendo pera Hilário) E o Sr., veio vender-me isto ?
Hilário (Fazendo-se forte) - Perdão! O Sr. Manivela já se comprometeu a comprar-me esses números mesmo!
Procópio - A comprar? Comprometeu? Não estou em mim! Com que autoridade? Quem é o dono da casa? Quem é aqui o patrão, (Batem à porta D.B.) - quem é?
Júlio (De fora) - Sou eu!
Procópio (Para Manivela) - Vai abrir.
Júlio (Entrando) - O Tio desculpe se interrompi. Não é costume estar fechada (aponta a porta).
Procópio (Para Manivela) - Não te tenho já dito que não quero a porta fechada quando eu cá não estou ?
Manivela - Mas o Sr. está…
Procópio – Estou, mas podia não estar…
Júlio (Para Procópio) - Mas que aconteceu? O Tio parece estar exaltado.
Procópio – Não, já estou calmo. (Para Manivela) - Nós depois falaremos. (Para Hilário) - E você, seu caixeiro viajante das dúzias, que tem o desplante de se dizer músico, que tem a audácia de usar uma clave de Sol espetada na gravata, que tem o arrojo de usar gravata pendurada ao pescoço e que tem a sorte de ainda ter o pescoço pegado ao corpo, não o mando, a você e à sua Rabeca Mágica, pentear macacos, porque estou convencido que isso é uma coisa que você já faz todas as manhãs ao levantar-se (Vira-lhe as costas).
Hilário (Furioso) - Alto lá, seu Procópio. Você está a chamar-me macaco e isso é demais, não consinto. Ainda me calei quando você mostrou desejos de me cortar a cabeça; agora quer o rabo, é demasiado. Protesto!
Procópio - Pois então vá protestar lá para fora, que não o quero ver aqui nem mais um momento.
Hilário - Vou, porque não lhe quero faltar ao respeito diante da Senhora sua Filha. Mas deixe estar você, seu Procópio Profundo que eu, Hilário Hilariante, Chefe da Publicidade do Teatro Folias Brejeiras, não me hei-de esquecer de gabar a sua voz. Hei-de dizer que ela é tão baixa, tão baixa, que para a gente a ouvir - e aplaudir – só de cócoras! (Sai pelo F.E.)
Procópio (Correndo para a porta) – Ah, tratante! (Fica fazendo gestos furiosos para fora).




CENA VIII

Isabel, Procópio, Júlio e Manivela


Isabel (Olhando para o pai) - Então Papá, não se exalte mais. Bem sabe que isso lhe faz mal.(Ficam falando baixo).
Júlio (Para Manivela) – Mas afinal quem é esse tipo que saiu?
Manivela - É do Teatro Folias Brejeiras. Está nas mãos dele a partida a fazer ao Carlos.
Júlio - Então achaste? O que é?
Manivela - Não há tempo. Uma coisa para enrouquecer. Veja se encontra esse tal Hilário e se o convence. Ele explica-lhe melhor.
Júlio - Vou já tratar disso. Até logo, Tio ( Sai por F.E.).
Procópio (Que tem estado a falar baixo com Isabel) - Até logo. (Para Manivela) - Ora vamos lá a saber...

(continua)